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FETAG-RS discute mobilização contra fusão de secretarias e defende políticas específicas para a agricultura familiar

Agro

07 de novembro de 2026

FETAG-RS discute mobilização contra fusão de secretarias e defende políticas específicas para a agricultura familiar
Foto: Wenderson Araújo / Trilux

A Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (FETAG-RS) reuniu, nesta sexta-feira (6), sua diretoria e as coordenações regionais de todo o Estado para avaliar os encaminhamentos diante da proposta de fusão da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (SEAPI). A entidade defende a manutenção de uma estrutura específica para atender às demandas da agricultura e da pecuária familiar.

A proposta de reorganização administrativa integra as discussões sobre a estrutura do futuro governo estadual, que será comandado pelo governador eleito Luciano Zucco a partir de janeiro de 2027.

Para a FETAG-RS, a existência de uma secretaria dedicada ao desenvolvimento rural é importante para assegurar a continuidade e o fortalecimento das políticas públicas destinadas às famílias agricultoras.

O encontro desta sexta-feira teve como objetivo alinhar as posições das lideranças regionais e discutir os próximos encaminhamentos da entidade em relação à proposta.

Agricultura familiar representa mais de 80% dos estabelecimentos rurais gaúchos

A preocupação da FETAG-RS está relacionada à importância econômica e social da agricultura familiar no Rio Grande do Sul.

O Estado possui 293.892 estabelecimentos rurais familiares, que correspondem a 80,5% do total de estabelecimentos agropecuários gaúchos.

Nessas propriedades trabalham mais de 700 mil pessoas, o equivalente a aproximadamente 72% da população ocupada na agropecuária estadual.

A agricultura e a pecuária familiar também respondem por cerca de R$ 47 bilhões anuais em Valor Bruto da Produção (VBP), representando 42% do resultado da agropecuária do Rio Grande do Sul.

Os números demonstram a participação do segmento na produção de alimentos, na geração de empregos e na movimentação econômica dos municípios, especialmente nas regiões em que as pequenas propriedades rurais possuem forte presença.

Endividamento e mudanças climáticas estão entre os principais desafios

Além da discussão sobre a estrutura administrativa do Estado, a FETAG-RS chama a atenção para as dificuldades enfrentadas pelas famílias agricultoras.

Entre os principais problemas está o crescimento do endividamento rural, que compromete a capacidade de investimento e a continuidade das atividades produtivas em muitas propriedades.

Os impactos das mudanças climáticas também representam uma preocupação para o setor, especialmente diante da necessidade de ampliar o acesso a mecanismos de seguro rural com custos compatíveis com a realidade dos produtores.

Outra demanda envolve a comercialização da produção. A entidade destaca a importância de políticas que contribuam para garantir preços capazes de cobrir os custos produtivos e proporcionar renda às famílias.

Entidade avalia próximos encaminhamentos

A reunião com as coordenações regionais faz parte da articulação da FETAG-RS diante da possibilidade de unificação das duas secretarias estaduais.

A federação busca assegurar que as necessidades específicas da agricultura familiar sejam consideradas na definição da estrutura administrativa e das prioridades do próximo governo.

A proposta de fusão ainda está em discussão, e o material divulgado não detalha quais medidas serão adotadas pela entidade após o encontro.

A definição sobre a organização das secretarias caberá à futura administração estadual.