Balança comercial brasileira registra superávit recorde de US$ 9,32 bilhões em outubro, impulsionada pelas exportações
07 de novembro de 2026
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 9,32 bilhões em outubro de 2026, o maior resultado para o mês desde o início da série histórica, em 1989. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O desempenho foi impulsionado pelo crescimento das exportações de petróleo, combustíveis e produtos agropecuários.
O saldo positivo, que representa a diferença entre exportações e importações, cresceu 39,4% em relação a outubro de 2025, quando havia alcançado US$ 6,69 bilhões.
As exportações brasileiras somaram US$ 31,51 bilhões, uma alta de 20% na comparação anual. Já as importações chegaram a US$ 24,82 bilhões, com crescimento de 14,8%.
A corrente de comércio, que corresponde à soma das vendas e compras internacionais, atingiu US$ 56,33 bilhões, aumento de 17,7% e também o maior valor registrado para meses de outubro na série histórica.
Petróleo e agronegócio impulsionaram as exportações
O crescimento das vendas externas foi liderado pela indústria extrativa, seguida pela agropecuária e pela indústria de transformação.
Entre os produtos que apresentaram maior avanço estão o petróleo bruto, com crescimento de 122,6% nas exportações, e os minérios de metais e concentrados, com alta de 900,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Na indústria de transformação, destacaram-se os combustíveis, cujas vendas externas cresceram 164,5%, e os farelos de soja, com aumento de 39,1%.
O setor agropecuário também contribuiu para o desempenho da balança comercial. As exportações de soja avançaram 8,9%, enquanto as vendas de animais vivos, exceto pescados, cresceram 212,1%.
Outro destaque foi o comércio de centeio e aveia, cujas exportações passaram de US$ 2,8 milhões para US$ 338,8 milhões. Segundo os dados divulgados, a variação está relacionada a diferenças no cronograma de embarques.
No caso do petróleo, o aumento da produção brasileira e a valorização de 36,7% nos preços médios, em meio ao agravamento dos conflitos no Oriente Médio, contribuíram para a expansão das receitas.
Exportações para os Estados Unidos cresceram apesar das tarifas
As vendas brasileiras aumentaram para a maior parte dos principais mercados internacionais.
As exportações destinadas à Europa somaram US$ 7,76 bilhões, crescimento de 35,8%. Para a América do Norte, chegaram a US$ 5,66 bilhões, avanço de 47,4%.
Na América do Sul, as vendas alcançaram US$ 4,58 bilhões, alta de 14,9%, enquanto os embarques para a Ásia totalizaram US$ 15,41 bilhões, crescimento de 9,3%.
Os Estados Unidos registraram aumento de 11,4% nas compras de produtos brasileiros em outubro, mesmo diante das tensões comerciais e da aplicação de tarifas adicionais.
O desempenho foi favorecido pela exclusão de determinados produtos das medidas tarifárias, incluindo itens do setor de aviação, carnes e suco de laranja.
Com o resultado, as exportações brasileiras para os Estados Unidos passaram a acumular crescimento de 0,2% em 2026.
Em contrapartida, as vendas para a China recuaram 5,3%, influenciadas pelas restrições comerciais relacionadas às exportações brasileiras de carnes.
Importações aumentaram com alta dos combustíveis
As importações brasileiras cresceram 14,8% em outubro, com destaque para os combustíveis, que registraram elevação de 84,2% nos preços médios em relação ao mesmo mês de 2025.
O valor importado de combustíveis alcançou US$ 4,5 bilhões, crescimento de 86,8%.
As compras de bens de consumo aumentaram 25,9%, enquanto os bens intermediários apresentaram crescimento de 2,7%.
Já as importações de bens de capital, categoria que inclui máquinas e equipamentos utilizados na produção, avançaram 4%.
Segundo a análise apresentada, os juros elevados e a desaceleração da atividade econômica têm contribuído para moderar os investimentos industriais.
Superávit acumulado em 2026 supera US$ 71 bilhões
De janeiro a outubro, a balança comercial brasileira acumulou superávit de US$ 71,04 bilhões, crescimento de 34,1% em relação ao mesmo período de 2025.
Nesse intervalo, as exportações somaram US$ 321,88 bilhões, alta de 11,2%, enquanto as importações totalizaram US$ 250,84 bilhões, aumento de 6,1%.
Apesar do resultado positivo, o Mdic revisou para baixo a projeção de superávit comercial para o fechamento de 2026.
A estimativa passou de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões. Caso seja confirmada, representará o segundo maior saldo anual da série histórica, atrás apenas de 2023, quando o superávit alcançou US$ 98,8 bilhões.
A previsão de exportações para o ano foi reduzida de US$ 394,4 bilhões para US$ 382,5 bilhões. Para as importações, a estimativa passou de US$ 304,4 bilhões para US$ 298,1 bilhões.
Mesmo após a revisão, a projeção do governo permanece acima da expectativa das instituições financeiras consultadas pelo Banco Central. Segundo o boletim Focus, o mercado estima superávit comercial de US$ 79,9 bilhões em 2026.
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).