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Rio Grande do Sul declara 2027 como o ano dos centenários de Teixeirinha e Paixão Côrtes

Estado

07 de novembro de 2026

Rio Grande do Sul declara 2027 como o ano dos centenários de Teixeirinha e Paixão Côrtes
Foto: Maurício Tonetto/Secom

O ano de 2027 será dedicado às comemorações dos centenários de nascimento de duas das principais referências da cultura gaúcha: o cantor e compositor Vítor Mateus Teixeira, conhecido como Teixeirinha, e o pesquisador e tradicionalista João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes. A homenagem foi oficializada por meio de decreto assinado pelo governador Eduardo Leite, em 28 de outubro, no Centro Administrativo Fernando Ferrari (Caff), em Porto Alegre.

A iniciativa reconhece a contribuição dos dois artistas e pesquisadores para a formação, preservação e divulgação da identidade cultural do Rio Grande do Sul. Ambos nasceram em 1927 e tiveram trajetórias marcadas pela valorização das tradições, embora em diferentes áreas de atuação.

O ato de assinatura contou com a presença do secretário estadual da Cultura, André Kryszczun.

“Teixeirinha e Paixão Côrtes representam duas dimensões fundamentais da identidade gaúcha. Teixeirinha levou a música do Rio Grande do Sul para o Brasil e para o mundo, enquanto Paixão Côrtes dedicou sua vida a pesquisar, preservar e transmitir as nossas tradições”, destacou o governador.

Comemorações terão apresentações musicais, exposições e atividades culturais

O decreto abre caminho para a realização de uma programação comemorativa ao longo de 2027, com exposições, apresentações musicais, exibições audiovisuais e produção de conteúdos digitais.

A proposta também prevê a participação de instituições públicas e privadas, entidades culturais, pesquisadores e representantes da sociedade civil, buscando ampliar o acesso à história e à produção cultural dos homenageados.

Segundo o secretário André Kryszczun, a homenagem conjunta permite reconhecer diferentes contribuições para a cultura do Estado.

“A homenagem conjunta, por meio do decreto que foi assinado, permite reconhecer diferentes dimensões da cultura do Rio Grande do Sul: de um lado, a contribuição artística e a popularização da música regional; de outro, a pesquisa, a preservação e a sistematização das tradições e manifestações culturais gaúchas”, afirmou.

Teixeirinha levou a música gaúcha para o Brasil

Nascido em 1927, no distrito de Rolante, então pertencente a Santo Antônio da Patrulha, Vítor Mateus Teixeira se tornou um dos nomes mais conhecidos da música regional brasileira.

Cantor, compositor, radialista e cineasta, Teixeirinha conquistou projeção nacional e internacional com canções que retratavam histórias, sentimentos e costumes ligados à vida no Rio Grande do Sul.

Conhecido como “O Rei do Disco”, lançou mais de 50 álbuns ao longo da carreira, iniciada no mercado fonográfico em 1960. No ano seguinte, conheceu a acordeonista Mary Terezinha, que o acompanharia artisticamente durante 22 anos.

Além da música, Teixeirinha também construiu uma trajetória no cinema. Escreveu o roteiro do longa-metragem Coração de Luto, estrelou Motorista sem Limites e produziu dez filmes por meio da Teixeirinha Produções Artísticas.

No rádio, apresentou o programa Teixeirinha Amanhece Cantando, transmitido pelas rádios Farroupilha e Gaúcha.

O artista morreu em 1985, deixando uma obra que permanece como referência na música regional do Estado.

Paixão Côrtes foi um dos responsáveis pela consolidação do tradicionalismo gaúcho

João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes, nascido em 1927 e falecido em 2018, teve papel fundamental na pesquisa, documentação e preservação das manifestações culturais do Rio Grande do Sul.

Pesquisador, folclorista e tradicionalista, foi um dos principais idealizadores do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG).

Nas décadas de 1940 e 1950, ao lado de Barbosa Lessa e outros tradicionalistas, participou da criação de iniciativas que se tornariam símbolos da cultura regional, como a Chama Crioula, o Desfile dos Cavalarianos e a Ronda Crioula, que posteriormente daria origem à Semana Farroupilha.

Também esteve entre os fundadores do 35 Centro de Tradições Gaúchas (35 CTG), criado em 1948 e reconhecido como o primeiro CTG do Estado.

Outro marco de sua trajetória ocorreu em 1954, quando serviu de modelo para a escultura do Laçador, obra de Antônio Caringi que se tornou um dos símbolos de Porto Alegre.

Paixão Côrtes também foi patrono da 56ª Feira do Livro de Porto Alegre, realizada em 2010.

Seu trabalho contribuiu para a preservação de danças, músicas, indumentárias, costumes e outras expressões do patrimônio cultural imaterial gaúcho.

Centenários buscam aproximar novas gerações da cultura regional

Ao instituir 2027 como o ano dos centenários de Teixeirinha e Paixão Côrtes, o governo estadual pretende estimular ações de memória, educação patrimonial e valorização da cultura gaúcha em diferentes regiões.

As homenagens também buscam aproximar as novas gerações das trajetórias dos dois nomes, cujas contribuições permanecem presentes na música, no tradicionalismo e nas manifestações culturais do Rio Grande do Sul.

A programação detalhada das comemorações ainda deverá ser divulgada pelos órgãos responsáveis.