Fim do segundo bissexto muda a maneira como o tempo oficial é ajustado no mundo
16 de outubro de 2026
A partir de 2027, o sistema internacional de medição do tempo passará por uma mudança importante: os relógios deixarão de receber os chamados segundos bissextos para acompanhar as variações na rotação da Terra. A decisão foi aprovada por representantes de diversos países e prevê a antecipação de uma alteração que estava programada inicialmente para 2035.
O segundo bissexto é um mecanismo criado na década de 1970 para manter o Tempo Universal Coordenado (UTC), referência utilizada mundialmente, próximo do tempo astronômico. Enquanto os relógios atômicos medem o tempo com extrema precisão, a rotação do planeta sofre pequenas variações que impedem uma correspondência perfeita entre os dois sistemas.
Essas diferenças ocorrem devido a diversos fatores naturais, como os movimentos internos da Terra, as mudanças na atmosfera, a circulação dos oceanos e a influência gravitacional da Lua, responsável pelas marés.
Desde 1972, 27 segundos extras foram adicionados aos relógios para compensar o descompasso entre o tempo atômico e a rotação terrestre. Os ajustes não seguem uma periodicidade fixa e são realizados quando a diferença entre as duas referências se aproxima de um limite estabelecido internacionalmente.
Apesar de cumprir sua função, o procedimento pode provocar dificuldades em sistemas tecnológicos que dependem de horários rigorosamente sincronizados. Entre os setores que podem ser afetados estão as telecomunicações, a navegação por satélite, os mercados financeiros, os centros de processamento de dados e as redes de distribuição de energia.
Em 2012, a introdução de um segundo adicional foi relacionada a falhas e instabilidades em serviços digitais e a problemas operacionais em sistemas de transporte aéreo. Episódios desse tipo reforçaram a preocupação com os riscos de alterar a contagem do tempo em infraestruturas que funcionam de maneira contínua.
Outro fator que contribuiu para a revisão das regras foi a aceleração observada na rotação terrestre em determinados períodos recentes. Esse comportamento levantou a possibilidade de uma situação inédita: a necessidade de retirar um segundo dos relógios, em vez de acrescentar um.
A aplicação de um segundo negativo, porém, representa um desafio, já que esse tipo de correção nunca foi realizado. Como muitos sistemas digitais foram desenvolvidos considerando a possibilidade de adicionar um segundo, a retirada de um intervalo de tempo poderia gerar erros de funcionamento e dificuldades de sincronização.
Com a nova orientação, prevista para entrar em vigor em 20 de maio de 2027, o tempo oficial poderá se distanciar gradualmente da referência baseada na rotação da Terra, sem a necessidade de inserir ou remover segundos para compensar as diferenças.
A margem permitida poderá aumentar progressivamente até se aproximar de uma hora, um processo que, conforme as estimativas técnicas, deverá levar centenas de anos. A proposta busca tornar a medição internacional do tempo mais estável e reduzir a necessidade de intervenções que possam comprometer sistemas tecnológicos.
Para a população, a mudança não deverá provocar alterações perceptíveis na rotina. Os relógios comuns e os dispositivos eletrônicos continuarão marcando as horas normalmente, sem que as pessoas precisem ajustar seus aparelhos por causa do fim dos segundos bissextos.
O acompanhamento da rotação terrestre continuará sendo importante para a ciência. Astrônomos poderão recorrer às referências de tempo astronômico quando precisarem determinar com precisão a posição e o movimento do planeta em relação aos corpos celestes, enquanto o sistema oficial priorizará a estabilidade necessária às atividades cotidianas e às infraestruturas digitais.
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