Exportações da indústria gaúcha avançam 1,1% em setembro e alcançam US$ 1,7 bilhão
16 de outubro de 2026
As exportações da indústria do Rio Grande do Sul registraram crescimento de 1,1% em setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O faturamento com as vendas externas chegou a US$ 1,7 bilhão, impulsionado pelo aumento de 4% nos preços dos produtos exportados, que compensou a redução de 0,4% no volume embarcado. Os dados foram divulgados pelo Sistema FIERGS.
Dos 23 segmentos industriais analisados, 14 apresentaram aumento na receita obtida com as exportações. Os setores de alimentos e de celulose e papel tiveram os resultados mais expressivos, enquanto a indústria do tabaco enfrentou uma retração significativa nas vendas internacionais.
O cenário externo segue influenciando o desempenho da indústria gaúcha. Enquanto as relações comerciais entre Mercosul e União Europeia apresentam perspectivas favoráveis para os exportadores, as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos continuam sendo um fator de pressão sobre parte das vendas destinadas ao mercado norte-americano. A diversificação dos destinos comerciais permanece importante para ampliar a competitividade dos produtos brasileiros no exterior.
O setor de alimentos liderou o crescimento entre os segmentos industriais, com receita de US$ 571 milhões em setembro, valor 17,7% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. O farelo de soja foi o principal destaque, com US$ 143 milhões em exportações, representando um acréscimo de US$ 33,8 milhões na comparação anual. A Espanha se destacou como principal compradora do produto, com US$ 53,6 milhões em aquisições, aumento de US$ 38,2 milhões.
Outro resultado positivo veio da indústria de celulose e papel, que ampliou sua receita externa em 74,6%, alcançando US$ 124 milhões. As pastas químicas de madeira responderam pela maior parte das vendas do segmento, totalizando US$ 119 milhões, com crescimento de US$ 54 milhões. A China foi o principal destino desse produto, importando US$ 30,9 milhões, alta de US$ 8,6 milhões em relação a setembro do ano passado.
Na direção oposta, o setor de tabaco apresentou queda de 40,3% nas exportações, que somaram US$ 233 milhões. O principal impacto veio das folhas de tabaco destaladas, cujas vendas recuaram US$ 147 milhões, totalizando US$ 212 milhões. A Bélgica permaneceu entre os principais mercados compradores, com US$ 47,1 milhões em aquisições, uma redução de US$ 55,3 milhões na comparação anual.
As vendas industriais do Rio Grande do Sul para os Estados Unidos atingiram US$ 161 milhões em setembro, crescimento de 91% em relação ao mesmo mês de 2025. Em valores absolutos, o avanço foi de US$ 76,6 milhões. Apesar da recuperação anual, o resultado precisa ser considerado diante da base de comparação reduzida do ano passado, quando as tarifas norte-americanas já afetavam as exportações. Em relação a setembro de 2024, período anterior à imposição dessas medidas, as vendas permaneceram 5,5% menores.
Para a União Europeia, as exportações industriais gaúchas alcançaram US$ 340 milhões, avanço de US$ 23,5 milhões, equivalente a 7,4%, frente a setembro de 2025. O resultado foi registrado em um contexto de avanço das relações comerciais entre o bloco europeu e o Mercosul.
A China também ampliou suas compras de produtos industriais do estado. As exportações para o país asiático somaram US$ 71 milhões, crescimento de 8,5%, ou US$ 5,5 milhões, na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Já o comércio com a Argentina apresentou desempenho negativo. As vendas industriais gaúchas para o país totalizaram US$ 117 milhões, queda de US$ 51,2 milhões, correspondente a 30,4%. No Oriente Médio, as exportações chegaram a US$ 111 milhões, recuo de 4,3%, equivalente a US$ 4,9 milhões.
No fluxo de entrada de mercadorias, as importações do Rio Grande do Sul somaram US$ 1,1 bilhão em setembro, redução de US$ 55,5 milhões, ou 4,6%, em relação ao mesmo mês de 2025.
Os bens intermediários concentraram a maior parcela das compras externas, com US$ 641 milhões, mas registraram queda de 9,8%, equivalente a US$ 69,7 milhões. Esse grupo reúne insumos utilizados nos processos produtivos da indústria.
As importações de bens de consumo seguiram na direção contrária e cresceram 11%, atingindo US$ 156 milhões, um aumento de US$ 15,5 milhões. Já as compras de bens de capital, que incluem máquinas e equipamentos utilizados na produção, totalizaram US$ 237 milhões, retração de US$ 10,5 milhões, ou 4,2%.
Os números de setembro mostram um avanço moderado das exportações industriais gaúchas, sustentado principalmente pelos segmentos de alimentos e celulose e papel. Ao mesmo tempo, as diferenças de desempenho entre os destinos comerciais e a redução das importações de insumos e equipamentos evidenciam os desafios enfrentados pela indústria estadual no cenário internacional.
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