Supremo Tribunal Federal completa um ano com vaga aberta e enfrenta crise institucional
19 de outubro de 2026
O Supremo Tribunal Federal (STF) chegou, neste domingo (18), a um ano funcionando com apenas dez ministros, apesar de sua composição prevista ser de 11 integrantes. A cadeira ficou vaga após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, em outubro do ano passado, e permanece sem um novo ocupante, em meio a dificuldades políticas e ao agravamento das tensões envolvendo a Corte.
A ausência de um magistrado pode afetar a distribuição dos processos e a análise de casos que seriam encaminhados ao novo integrante. Enquanto a vaga não é preenchida, os demais ministros continuam responsáveis pelo volume de ações que chegam ao tribunal, e processos relacionados ao acervo que seria transferido ao sucessor podem permanecer sem andamento.
O período desde a saída de Barroso também foi marcado por mudanças no ambiente político e institucional. Na ocasião, o Supremo havia concluído julgamentos importantes relacionados à tentativa de golpe de Estado, incluindo a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A atuação da Corte na defesa da ordem democrática, entretanto, passou a dividir espaço com questionamentos sobre a conduta de integrantes do próprio tribunal.
A situação se agravou com a divulgação de mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que levantaram dúvidas sobre possíveis contatos relacionados a investigações conduzidas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pela Polícia Federal. O episódio ampliou a pressão sobre o STF e provocou novas discussões a respeito da transparência e da imparcialidade das instituições.
As controvérsias também envolveram outros integrantes da Corte. Moraes questionou aspectos da atuação do ministro André Mendonça na condução de investigações ligadas ao Banco Master e a irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), defendendo a apuração de possíveis conflitos de interesse. Além disso, vieram à tona questionamentos sobre as relações de Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques com Vorcaro.
O cenário contribuiu para expor divergências internas e ampliar o desgaste público do tribunal. A proximidade da eleição presidencial e a polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) também aumentaram a pressão política sobre o Supremo, cujas decisões e integrantes passaram a ocupar espaço central no debate eleitoral.
A crise representa mais um desafio para o governo Lula, que busca a reeleição em meio a questionamentos sobre a atuação das instituições. O ambiente de desconfiança em relação ao tribunal também influencia as discussões sobre a escolha do próximo ministro e a relação entre o Executivo e o Senado Federal.
Nesse contexto, o nome de Rodrigo Pacheco, ligado ao Tribunal de Contas da União (TCU), continua sendo considerado uma possibilidade para ocupar a cadeira deixada por Barroso. A escolha do novo integrante depende de uma indicação presidencial e da aprovação dos senadores, etapa que exige articulação política entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional.
A disputa pela vaga faz parte de um processo mais amplo de renovação do STF. As aposentadorias previstas para os próximos anos poderão abrir novas oportunidades de indicação durante o próximo mandato presidencial. Paralelamente, propostas de impeachment contra ministros também podem ampliar as tensões entre os Poderes, especialmente diante da expectativa de mudanças na composição do Congresso a partir de 2027.
A tentativa anterior de preencher a cadeira foi marcada por dificuldades políticas. Cerca de um mês após a saída de Barroso, Lula indicou Jorge Messias, então advogado-geral da União, para o cargo. A escolha, no entanto, encontrou resistência no Senado, onde o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), demonstrava preferência por Rodrigo Pacheco.
A divergência provocou meses de negociações e aumentou o desgaste na relação entre o governo federal e os parlamentares. Apesar das articulações, a indicação de Messias não conseguiu reunir os votos necessários para a aprovação no plenário do Senado, que exige pelo menos 41 manifestações favoráveis.
A rejeição representou um episódio excepcional na história republicana brasileira, já que foi a primeira vez em 132 anos que o Senado recusou uma indicação presidencial para o Supremo Tribunal Federal. Com o resultado, a escolha de um novo ministro voltou às mãos de Lula, e a vaga permanece aberta.
Após um ano de composição incompleta, o STF enfrenta o desafio de preservar sua credibilidade institucional enquanto lida com questionamentos públicos, disputas políticas e divergências internas. A definição do substituto de Barroso deverá exigir novas negociações e terá impacto tanto na organização dos trabalhos da Corte quanto na relação entre os Poderes da República.
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