Lula e Flávio Bolsonaro protagonizam primeiro debate do segundo turno com troca de acusações
19 de outubro de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram um debate marcado por confrontos verbais, acusações e provocações na noite de domingo (18), em transmissão pela TV Band. No primeiro encontro entre os candidatos neste segundo turno, os dois discutiram temas como suspeitas de corrupção, relações com empresários, investigações financeiras e política externa.
Durante o confronto, Flávio Bolsonaro procurou associar o governo Lula a denúncias envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e mencionou a empresária e lobista Roberta Luchsinger, relacionada a pessoas próximas ao presidente. Lula, por sua vez, questionou os vínculos do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, além de criticar a administração do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O clima de tensão começou no primeiro bloco, quando Lula questionou Flávio sobre seu posicionamento contrário ao aumento da licença-maternidade durante o período em que exerceu mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro. Em resposta, o senador desviou do assunto e trouxe à discussão a relação de Roberta Luchsinger com o filho do presidente, dando início a uma sequência de ataques entre os dois.
Lula afirmou que eventuais irregularidades envolvendo a empresária deveriam ser apuradas pelas autoridades policiais e, na sequência, cobrou esclarecimentos de Flávio sobre sua relação com Daniel Vorcaro. O senador havia solicitado recursos ao empresário para financiar o filme “Dark Horse”, produção cinematográfica sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
O presidente também questionou valores relacionados ao caso e afirmou que novas investigações poderiam avançar. Flávio, em contrapartida, citou o senador Sergio Moro e o ex-procurador Deltan Dallagnol, presentes na plateia, e fez críticas à gestão petista, acusando Lula de corrupção.
Na sequência, Lula voltou a cobrar explicações sobre os valores envolvidos na relação entre o senador e Vorcaro. Flávio, por sua vez, questionou encontros reservados que o presidente teria mantido com o ex-banqueiro e levantou dúvidas sobre o conteúdo das conversas. Lula rebateu dizendo que o governo Bolsonaro contribuiu para a ascensão de Vorcaro no setor bancário, enquanto a atual gestão teria levado o empresário à condição de investigado e preso.
O embate também envolveu o Supremo Tribunal Federal (STF). Flávio acusou Lula de fazer indicações para a Corte com o objetivo de beneficiar aliados em investigações relacionadas ao Banco Master. O senador também mencionou os nomes de Jaques Wagner e Rui Costa. Lula respondeu cobrando esclarecimentos sobre a compra de uma mansão em Brasília por Flávio Bolsonaro, aquisição que envolve financiamento do Banco de Brasília (BRB) e é alvo de apuração.
Ao longo do debate, o presidente acusou o adversário de mentir e evitar respostas diretas. Em outro momento de confronto, Flávio afirmou que pessoas presas votaram em Lula, provocação à qual o petista respondeu mencionando Jair Bolsonaro.
No terceiro bloco, a discussão se voltou à relação do Brasil com os Estados Unidos. Lula questionou qual seria a postura de Flávio diante do governo norte-americano caso fosse eleito e o acusou de incentivar medidas tarifárias contra produtos brasileiros durante a administração de Donald Trump.
Flávio negou ter atuado para promover a imposição de tarifas e criticou a condução diplomática do governo federal nas negociações comerciais. O senador também acusou Lula de favorecer organizações criminosas ao contestar a classificação de grupos brasileiros como terroristas pelos Estados Unidos.
O presidente rebateu as declarações e criticou a proximidade da família Bolsonaro com os interesses norte-americanos. Lula ainda desafiou Flávio a tornar públicos seus sigilos e os de seus familiares, defendendo que a divulgação permitiria esclarecer questionamentos sobre a conduta do senador.
O primeiro debate do segundo turno foi marcado pelo tom agressivo dos dois candidatos, que priorizaram críticas pessoais e questionamentos sobre investigações e relações políticas. O encontro também evidenciou a disputa em torno de temas como corrupção, economia, segurança pública e a posição do Brasil no cenário internacional.
Foto: Renato Pizzutto