Segunda-feira, 19 de Outubro de 2026

Segunda-feira
19 Outubro 2026

Tempo agora

Tempo nublado 13
Tempo nublado 19°C | 6°C
Tempo limpo
Ter 20/10 22°C | 7°C
Chuva
Qua 21/10 23°C | 11°C

Morre Benito Di Paula, ícone do samba brasileiro, aos 84 anos

Brasil

19 de outubro de 2026

Morre Benito Di Paula, ícone do samba brasileiro, aos 84 anos

O cantor, compositor e pianista Benito Di Paula morreu na noite de domingo (18), aos 84 anos, em São Paulo. O artista estava internado no Hospital 9 de Julho e faleceu em decorrência de complicações de um câncer de próstata, doença contra a qual lutava havia cerca de um ano. Reconhecido por seu estilo musical marcante, ele deixou uma contribuição importante para a história da música popular brasileira.

Nascido Uday Vellozo em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, Benito cresceu na capital fluminense e construiu uma carreira que ganhou projeção nacional principalmente durante a década de 1970. Sua maneira particular de interpretar o samba, combinando piano, percussão e melodias envolventes, ajudou a estabelecer uma identidade própria no cenário musical brasileiro.

Diferentemente de outros artistas do gênero, Benito costumava se definir como “sambeiro” e “pianeiro”, expressões que refletiam sua relação com a música. Ao tocar piano de maneira rítmica e percussiva, o artista transformava o instrumento em uma espécie de bateria, criando uma sonoridade característica que conquistou diferentes gerações de admiradores.

Sua presença nos palcos e nos programas de televisão também se tornou uma marca registrada. Com cabelos longos, anéis, colares, pulseiras e roupas elegantes, Benito apresentava uma imagem facilmente reconhecida pelo público. O estilo visual acompanhava a personalidade artística de um músico que soube unir o samba tradicional a elementos próprios de interpretação e arranjo.

A trajetória fonográfica começou em 1967, e o primeiro álbum, intitulado “Benito Di Paula”, chegou ao público em 1971. No ano seguinte, lançou o disco “Ela”, que ajudou a ampliar sua presença no mercado musical. Entre as primeiras canções de destaque esteve “Violão Não Se Empresta a Ninguém”, que contribuiu para tornar seu nome mais conhecido.

O grande salto na carreira aconteceu em 1973, com “Retalhos de Cetim”. A canção se transformou em um dos maiores sucessos de sua trajetória e permaneceu como uma das composições mais associadas ao artista. A partir daí, Benito emplacou uma sequência de músicas populares que marcaram a década de 1970.

Entre os sucessos que consolidaram sua popularidade estão “Charlie Brown”, “Beleza Que É Você, Mulher”, “Bandeira do Samba”, “Como Dizia o Mestre”, “Vai Ficar na Saudade”, “Tudo Está no Seu Lugar”, “Do Jeito Que a Vida Quer”, “Assobiar e Chupar Cana” e “Proteção às Borboletas”. As canções conquistaram espaço nas rádios e ajudaram a aproximar seu trabalho de um público amplo.

A combinação entre piano e instrumentos de percussão foi um dos principais elementos de sua obra. Embora reconhecesse a influência do sambista Ataulfo Alves, Benito desenvolveu uma linguagem musical própria, com arranjos marcantes e interpretações que se diferenciavam de outras vertentes do samba popular da época.

Na década de 1980, o cantor continuou a alcançar o público com novas músicas. “Ah! Como Eu Amei” ganhou destaque em 1981, enquanto “Amigo do Sol, Amigo da Lua”, lançada em 1984, teve grande repercussão e integrou a trilha sonora da novela “A Gata Comeu”, exibida pela TV Globo em 1985.

Mesmo com a redução de sua presença nas grandes produções da indústria fonográfica ao longo dos anos seguintes, Benito continuou trabalhando e lançando discos. Em 2017, apresentou “A Felicidade É Nossa” e, em 2021, lançou “O Infalível Zen”, projeto que marcou suas oito décadas de vida.

Nos últimos anos, sua obra voltou a receber atenção e reconhecimento, com homenagens na música e no Carnaval. Em 2025, Benito foi homenageado pela escola de samba Águia de Ouro, de São Paulo, que levou à avenida o enredo “Em Retalhos de Cetim, a Águia de Ouro do Jeito que a Vida Quer”. O próprio artista participou do desfile, em um momento de celebração de sua trajetória.

A morte de Benito Di Paula representa a despedida de um artista que construiu uma carreira singular e ajudou a ampliar as possibilidades de expressão do samba brasileiro. Com composições que atravessaram décadas, ele deixa um repertório reconhecido pelo público e uma identidade musical que permanece presente na memória cultural do país. O cantor morreu pouco mais de um mês antes de completar 85 anos.