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Abstenção pode crescer nas eleições de 2026 e atingir maior nível desde 2002

Eleições

25 de setembro de 2026

Abstenção pode crescer nas eleições de 2026 e atingir maior nível desde 2002
Foto: Divulgação

A abstenção pode crescer nas eleições de 2026 e atingir o maior nível registrado em eleições gerais desde 2002, segundo avaliação do cientista político Jairo Nicolau, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ele também considera possível um aumento dos votos brancos e nulos.

No primeiro turno de 2022, 32 milhões de eleitores não compareceram às urnas. Para Nicolau, porém, esse número não representa apenas pessoas que decidiram deliberadamente não participar da eleição.

Uma parcela das ausências está relacionada ao aumento do número de eleitores com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo, além de pessoas que estão fora do domicílio eleitoral ou que enfrentam situações como doença ou compromissos de trabalho.

O cientista político avalia que existe também um grupo que opta conscientemente por não votar por não se identificar com os candidatos ou por não acreditar que a participação política faça diferença. O tamanho dessa parcela, entretanto, não é conhecido.

“Essa é uma eleição em que as pessoas estão desanimadas com os candidatos que estão aí, e que tem grande chance de aumentar, num nível razoável, a abstenção e os votos nulos e brancos”, afirma Nicolau.

Facilidade para justificar ausência

Outro fator apontado pelo professor é a redução do custo para quem deixa de votar. A possibilidade de justificar a ausência pelo e-Título, segundo Nicolau, tornou o processo mais simples e reduziu as consequências práticas do não comparecimento.

Na avaliação dele, o cenário pode estar levando o Brasil, na prática, a uma espécie de voto facultativo não declarado.

Menos espaço para o debate eleitoral

Nicolau também relaciona a possibilidade de aumento da abstenção ao atual cenário da campanha. Segundo ele, há um cansaço da população em relação à política e uma repetição da polarização entre petismo e bolsonarismo.

O professor afirma ainda que o debate sobre propostas e políticas públicas perdeu espaço nas últimas semanas, principalmente diante da atenção concentrada na crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF).

Para ele, a combinação entre o menor interesse da população, a crise no STF e o período curto de campanha resultou em um processo eleitoral com menor mobilização do que em pleitos anteriores.

“Talvez a gente tenha a maior taxa de abstenção nas eleições gerais de 2002 para cá”, avalia.

Quem pode ser mais afetado?

Apesar da expectativa de aumento da abstenção, o cientista político afirma que não é possível determinar antecipadamente qual candidato seria favorecido ou prejudicado.

Segundo Nicolau, mulheres apresentam maior taxa de comparecimento, enquanto pessoas com menor escolaridade tendem a faltar mais às urnas. O efeito de uma eventual alta da abstenção dependeria, portanto, de quais grupos e regiões apresentariam maior redução no comparecimento.

“Previamente não tem ninguém que eu poderia cravar que a abstenção vai prejudicar ou favorecer”, afirma.

Para Nicolau, a distribuição das ausências só poderá ser analisada depois da eleição. Ele considera que o aumento da abstenção, por si só, não permite afirmar qual será o impacto sobre o resultado.

Participação ainda é alta no Brasil

O cientista político também ressalta que sempre existe uma parcela da população menos interessada em política, independentemente de o voto ser obrigatório ou facultativo.

Na avaliação dele, o Brasil ainda apresenta uma das taxas de comparecimento mais altas do mundo. Por isso, considera difícil ampliar significativamente a participação eleitoral, embora defenda que partidos, órgãos de comunicação e escolas continuem estimulando o acompanhamento da política e o voto.