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Pensar em energias renováveis envolve união de sociedade, setor produtivo e poder público, afirma presidente da Cotrijal

Cooperativismo, Notícias

10 de junho de 2026

Pensar em energias renováveis envolve união de sociedade, setor produtivo e poder público, afirma presidente da Cotrijal
Painel contou com mediação da presidente do Sindienergia-RS, Daniela Cardeal
Foto : Camila Cunha

Não é possível falar das energias renováveis sem pensar em uma união entre a sociedade civil, o poder público e o setor privado. Foi o que cravou o presidente da Cotrijal, Nei Manica, no painel de abertura do 6º Fórum de Energias Renováveis, evento promovido pelo Correio do Povo em parceria com o Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS), que ocorre nesta terça-feira no Teatro CIEE-RS Banrisul. A mediação foi da presidente do Sindienergia-RS, Daniela Cardeal. “O Rio Grande do Sul poderá e deverá ser o propulsor do desenvolvimento, mas precisamos que entraves sejam desburocratizados para avançar projetos”, disse Manica. Isso envolve a atuação de diferentes órgãos em nível estadual e federal, de acordo com as suas responsabilidades, e do setor produtivo.

Lidar com os desafios impostos no setor pode trazer grandes oportunidades, destacou Mânica. Referência no Rio Grande do Sul por estar à frente na Expodireto Cotrijal, maior feira do agronegócio da América Latina que completou 26 anos em 2026, ele tratou da experiência como cooperativa do agronegócio e quais estratégias foram utilizadas para impulsionar o setor. O presidente lembrou que o RS era propulsor do desenvolvimento do setor do agronegócio, mas acabou ficando estagnado em termos de industrialização. Já o Paraná registrou desenvolvimento ao enfrentar desafios.

A exemplo da Cotrijal, a cooperativa se inspirou nos modelos do outro estado da Região Sul e entrou com diferentes cultivos, como canola e carinata, enquanto outras cooperativas do RS investiam apenas em commodities, o que não agregava muito valor e carregava o custo de armazenagem logística. A partir dos anos 2000, a cooperativa também voltou os olhares para resgatar a história do desenvolvimento do agro por meio do investimento em tecnologia. “Em 26 anos, conseguimos construir um modelo de uma feira voltada à tecnologia e inovação nos negócios”.

Com os desafios impostos no agronegócio no Estado, que passou por cinco grandes crises climáticas nos últimos anos, Manica apontou a necessidade de investir em projetos que, nas suas palavras, fazem com que o RS volte a ser um grande “celeiro” para a inovação. Ele destacou o projeto da Soli3, que envolve um complexo de industrialização na cadeia de biocombustível da soja, com a parceria de outras cooperativas.

Com localização em Cruz Alta, será uma área de 138 hectares e 75 mil metros quadrados de área construída. O projeto está em fase de início das obras, e terá capacidade de processamento de 3 mil toneladas de soja por ano, com transformação em farelo, óleo e biodiesel em sua primeira fase. “Isso vai ser um divisor de águas no estado do Rio Grande do Sul”, disse Manica.

A presidente do Sindienergia-RS destacou que poucos lugares possuem o potencial de energia que o Rio Grande do Sul, com a presença de portos, centros de pesquisa, indústrias e capacidade de inovação. Em sua visão, a segurança energética não é apenas uma tema do setor elétrico, mas envolve segurança alimentar, industrial e também contribui para a geração de empregos. “Nenhum dos desafios do Rio Grande do Sul será resolvido por um único setor. Os grandes avanços acontecem quando conhecimento, planejamento e capacidade de execução caminham juntos”, disse.

O Fórum de Energias Renováveis é realizado pelo Correio do Povo e pelo Sindienergia-RS. O evento conta com patrocínio de Corsan, BRDE, Senar, Sulgás e Governo do Estado do Rio Grande do Sul, além do apoio do CIEE-RS.

Fonte: Correio do Povo