Estudo mostra que reduzir uso das redes sociais melhora sono, concentração e bem-estar de adolescentes
25 de julho de 2026
Um estudo realizado no Reino Unido revelou que adolescentes que reduziram o uso das redes sociais apresentaram melhorias no sono, na concentração, no humor e no convívio familiar. A pesquisa, apoiada pelo governo britânico, também apontou que a proibição total dos aplicativos foi a medida que trouxe os maiores ganhos na capacidade de concentração, embora tenha provocado maior impacto na vida social dos participantes.
O levantamento, divulgado neste mês de julho, envolveu 309 famílias e foi encomendado antes de o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciar planos para restringir o acesso às redes sociais por menores de 16 anos.
Os participantes, com idades entre 13 e 17 anos, foram divididos em três grupos durante um mês. Um deles teve o uso limitado a 15 minutos por dia em cada aplicativo, outro precisou cumprir um toque de recolher das 21h às 7h para acessar as redes sociais, enquanto o terceiro removeu completamente os aplicativos dos dispositivos.
Sono foi o principal benefício
Entre as medidas testadas, o toque de recolher noturno foi considerado o mais fácil de ser seguido pelas famílias e apresentou os resultados mais consistentes na melhora da qualidade do sono.
Já a retirada completa dos aplicativos proporcionou os maiores avanços na concentração, mas também foi a estratégia que mais afetou a interação social dos adolescentes.
Independentemente da restrição adotada, os participantes relataram benefícios como melhora no humor, aumento do tempo dedicado aos estudos e maior convivência com a família.
Restrições ainda podem ser contornadas
O estudo também identificou desafios para a aplicação das medidas. Muitos adolescentes conseguiram driblar as restrições utilizando tablets, notebooks e celulares antigos. Além disso, afirmaram que mecanismos mais rígidos poderiam ser burlados com o uso de VPNs ou por meio de declarações falsas sobre a idade.
O limite diário de 15 minutos por aplicativo foi a estratégia com menor adesão. Os participantes consideraram a medida pouco prática, pois interrompia conversas e dificultava a comunicação com amigos, especialmente para quem utiliza o Snapchat como principal canal de contato.
Os adolescentes também defenderam que futuras restrições considerem a idade e o grau de maturidade de cada usuário, permitindo maior autonomia aos jovens mais velhos.