Brasil nega visto a diplomatas dos EUA após suspeita de interferência nas eleições
26 de julho de 2026
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) negou os pedidos de visto de dois diplomatas norte-americanos que pretendiam viajar ao Brasil nas semanas que antecedem as eleições presidenciais marcadas para 4 de outubro. A decisão foi tomada na sexta-feira (24).
Os vistos foram solicitados por Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Os dois foram citados pelo jornal The Washington Post como integrantes de uma estratégia voltada a questionar a integridade e a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.
Segundo fontes da diplomacia brasileira, o governo considerou a missão “inusitada” e avaliou que os representantes norte-americanos não atuariam como observadores eleitorais. O Brasil tradicionalmente recebe missões internacionais para acompanhar as eleições, mas entendeu que a finalidade da viagem era diferente.
Nos bastidores do governo federal, a avaliação é de que o envio da missão ocorreu em meio às manifestações de Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro sobre o sistema eleitoral brasileiro, o que levantou suspeitas de uma possível tentativa de descredibilizar o processo eleitoral.
Na última semana, o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, participou de um encontro com representantes de cerca de 40 países. Durante o evento, afirmou que as urnas eletrônicas utilizadas no Brasil seriam fabricadas por uma empresa venezuelana suspeita de fraudes. A informação já havia sido desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Flávio Bolsonaro nega ter colocado em dúvida o sistema eleitoral, mas defende que países estrangeiros enviem observadores internacionais para acompanhar a votação no Brasil.
No Supremo Tribunal Federal (STF), ministros classificaram a tentativa de envio da missão norte-americana como “escandalosa” e “inusitada”. Integrantes da Corte entendem que a iniciativa poderia representar uma tentativa de interferência externa em um tema de competência exclusiva das instituições brasileiras e defendem uma manifestação do Tribunal Superior Eleitoral sobre o caso.