Governo do Rio Grande do Sul apresenta plano de investimentos de R$ 28 bilhões em reunião com Alckmin
17 de outubro de 2026
O governador Eduardo Leite apresentou, na última sexta-feira, ao vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, um conjunto de projetos estratégicos que podem movimentar aproximadamente R$ 28 bilhões em investimentos privados no Rio Grande do Sul. O encontro ocorreu na sede da Invest RS, em São Paulo, e abordou iniciativas voltadas ao desenvolvimento industrial, à infraestrutura, à energia e à tecnologia.
Entre os empreendimentos discutidos, o destaque foi o Projeto Natureza, da empresa CMPC, que prevê a instalação de uma nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro. Com investimento estimado em R$ 27 bilhões, o projeto representa a maior iniciativa da carteira apresentada pelo governo gaúcho e poderá fortalecer a participação do Estado no mercado internacional de produtos derivados da celulose.
A continuidade do empreendimento depende do cumprimento de etapas do licenciamento ambiental. Uma das fases aguardadas é a manifestação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), necessária para que a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) possa avançar na emissão da licença prévia.
Além da construção da fábrica, o planejamento da CMPC inclui a implantação de um terminal próprio no Porto do Rio Grande, destinado a dar suporte ao transporte e à exportação da produção. A unidade industrial deverá ter capacidade para produzir 2,5 milhões de toneladas de celulose por ano, ampliando o potencial exportador gaúcho e contribuindo para o crescimento da movimentação de cargas no Estado.
Outro projeto apresentado durante a reunião envolve a criação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE) voltada a serviços e infraestrutura digitais. A iniciativa pretende atrair empresas interessadas em investir em centros de processamento de dados, computação em nuvem, inteligência artificial e outras tecnologias direcionadas ao mercado internacional.
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico publicou recentemente o termo de referência para selecionar uma empresa privada que auxiliará na estruturação do projeto. A proposta prevê que a implantação e a operação sejam financiadas pelo setor privado, sem necessidade de investimento direto do governo estadual.
A expectativa do Executivo gaúcho é selecionar a empresa responsável por apoiar a estruturação da iniciativa até dezembro. Depois dessa etapa, o projeto deverá ser encaminhado ao conselho nacional competente para avaliação e análise dos requisitos necessários à criação da zona de processamento de exportação.
A proposta busca inserir o Rio Grande do Sul em um mercado que registra expansão internacional, impulsionado pelo aumento da demanda por armazenamento e processamento de dados e pelo desenvolvimento de soluções baseadas em inteligência artificial.
A ampliação da oferta de gás natural também esteve entre os assuntos debatidos. O governo estadual apresentou uma iniciativa desenvolvida em parceria com a EDGE, empresa pertencente ao grupo Compass, que prevê estudos para a instalação de um terminal de gás natural liquefeito (GNL) no Porto do Rio Grande.
O memorando de entendimento firmado entre as partes estabelece as bases para aprofundar a avaliação do empreendimento, que poderá receber até R$ 1 bilhão em investimentos. A estrutura teria como finalidade ampliar as alternativas de fornecimento de gás natural no Estado, contribuindo para atender à demanda industrial e melhorar as condições para a instalação de novas empresas.
Na avaliação do governo, o fortalecimento da infraestrutura energética é fundamental para aumentar a competitividade da economia gaúcha. A oferta de energia e de gás natural é considerada um dos fatores que influenciam as decisões de empresas que pretendem ampliar suas operações ou instalar novas unidades produtivas.
Durante a agenda com Alckmin, Leite também abordou a possibilidade de prorrogar o período de suspensão do pagamento da dívida estadual com a União. O tema está relacionado à manutenção das condições que permitiram a criação do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), destinado a financiar ações de recuperação e adaptação do Estado.
Entre as prioridades mencionadas está a ampliação dos investimentos em irrigação, considerada uma medida importante para reduzir os impactos das estiagens sobre a agricultura e a pecuária. A iniciativa busca diminuir a vulnerabilidade da produção rural diante das irregularidades climáticas e oferecer maior segurança ao setor agropecuário.
A carteira apresentada pelo governador reúne projetos em diferentes estágios de desenvolvimento, mas com objetivos convergentes: ampliar a infraestrutura, estimular a atividade industrial, fortalecer as exportações e atrair capital privado para o Rio Grande do Sul.
Com investimentos previstos em setores como celulose, energia, tecnologia e irrigação, o governo estadual busca criar condições para ampliar a capacidade produtiva gaúcha e sustentar o crescimento econômico nos próximos anos.
Foto: Ascom Invest RS.