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Descoberta no espaço pode ajudar cientistas a entender um dos maiores mistérios do Universo

Ciência

15 de agosto de 2026

Descoberta no espaço pode ajudar cientistas a entender um dos maiores mistérios do Universo
Descoberta a 115 milhões de anos-luz pode ajudar cientistas a mapear a matéria escura e entender como as galáxias evoluem
Foto: Telescópio Espacial Hubble

Astrônomos identificaram, em dados de arquivo do Telescópio Espacial Hubble, um fenômeno inédito fora da Via Láctea: um fluxo estelar formado pelos restos de um aglomerado globular que está sendo lentamente desfeito pela gravidade de sua galáxia hospedeira.

O rastro de estrelas está localizado na galáxia ultradifusa UGC 9050-Dw1, a aproximadamente 115 milhões de anos-luz da Terra. A estrutura é extremamente tênue e se estende como uma faixa estreita pelo espaço, formada pelas estrelas que foram gradualmente arrancadas do aglomerado original.

A descoberta, publicada na revista Nature, representa o primeiro fluxo desse tipo identificado fora da Via Láctea e pode abrir uma nova possibilidade para estudar a distribuição de massa e a presença de matéria escura em outras galáxias.

Um mapa da matéria invisível

A gravidade da galáxia hospedeira influencia a trajetória das estrelas que formam o fluxo. Ao analisar a forma e o movimento desse rastro, os pesquisadores conseguiram modelar o campo gravitacional da galáxia e estimar sua massa.

O método também permite separar a quantidade de massa associada a objetos visíveis, como estrelas, daquela atribuída à matéria escura — componente que não pode ser observada diretamente, mas cuja presença é percebida pelos efeitos gravitacionais.

Os cientistas estimam que a matéria escura corresponda à maior parte da matéria do Universo. Por isso, encontrar novas formas de investigar sua distribuição é considerado importante para compreender a estrutura e a evolução das galáxias.

Por que o fluxo é tão difícil de encontrar?

Os fluxos estelares são estruturas extremamente frágeis e pouco luminosas. Na Via Láctea, dezenas já foram identificados, mas a detecção em galáxias muito mais distantes é considerada um desafio.

No caso de UGC 9050-Dw1, dois fatores podem ter favorecido a descoberta. A galáxia é ultradifusa, oferecendo um fundo pouco brilhante contra o qual o fluxo pode ser identificado, mas possui massa suficiente para que sua gravidade consiga retirar estrelas do aglomerado.

Os pesquisadores procuram estruturas finas e alongadas nas imagens obtidas pelos telescópios. Outra possibilidade é acompanhar o movimento das estrelas ao longo do tempo, embora essa técnica seja mais difícil de aplicar em galáxias distantes.

Registro da história das galáxias

Além de ajudar no estudo da matéria escura, os fluxos estelares funcionam como uma espécie de registro da evolução galáctica.

A forma como as estrelas estão distribuídas permite aos astrônomos reconstruir parte da trajetória do aglomerado e entender como ele foi afetado pelo campo gravitacional da galáxia ao longo do tempo.

Os pesquisadores esperam que futuros telescópios permitam encontrar mais estruturas desse tipo. Entre os instrumentos aguardados está o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da Nasa, que terá um campo de visão significativamente maior que o Hubble.

Com novas detecções, os astrônomos poderão comparar fluxos estelares em diferentes galáxias e investigar como a matéria, incluindo a matéria escura, está distribuída pelo Universo.