Avião espião da Guerra Fria agora é usado pela NASA para estudar tempestades de fogo
15 de agosto de 2026
Um avião criado durante a Guerra Fria para espionar a União Soviética agora tem uma nova missão: ajudar a NASA a entender as gigantescas tempestades provocadas por incêndios florestais.
A aeronave é uma versão modificada do lendário U-2, conhecido como “Dama Dragão”. Atualmente chamada de ER-2, ela deixou de carregar equipamentos militares e foi transformada em um laboratório voador equipado com instrumentos científicos.
A missão faz parte do experimento INSPYRE, criado para investigar as chamadas tempestades pirocumulonimbus, também conhecidas como “nuvens de fogo”. Esses sistemas podem surgir quando o calor extremo de grandes incêndios faz com que fumaça e ar quente subam rapidamente pela atmosfera, desencadeando uma tempestade.
Além de raios e ventos intensos, algumas dessas tempestades podem produzir fenômenos extremos, como tornados de fogo.
Tempestades podem levar fumaça à estratosfera
Um dos principais interesses dos pesquisadores é descobrir por que algumas tempestades provocadas por incêndios conseguem crescer tanto que ultrapassam a barreira natural da atmosfera e chegam à estratosfera.
Quando isso acontece, a fumaça pode ser transportada rapidamente por correntes de vento em grandes altitudes, espalhando partículas por regiões muito distantes do local do incêndio.
Segundo os pesquisadores, compreender esse processo é fundamental para melhorar a capacidade de prever quando e onde essas tempestades podem se formar.
ER-2 voa a cerca de 20 quilômetros de altitude
A NASA utiliza o ER-2 justamente por sua capacidade de voar em altitudes próximas de 20 mil metros. A aeronave funciona como uma espécie de laboratório no céu, sobrevoando os incêndios e coletando informações sobre as enormes colunas de fumaça.
Os equipamentos conseguem medir a dimensão e a altitude das plumas, além de analisar o movimento do ar e a atividade elétrica dentro das tempestades.
Ao mesmo tempo, outro avião da NASA, um Gulfstream 5, entra diretamente nas nuvens para coletar informações no interior dos sistemas.
Os dados dos dois aviões são combinados para oferecer aos cientistas uma visão mais completa do fenômeno.
A missão começou em julho e já realizou voos sobre incêndios no norte do Oregon, nos Estados Unidos, e no oeste do Canadá.
De avião espião a laboratório voador
A história do ER-2 começou na década de 1950, quando os Estados Unidos desenvolveram o U-2 para realizar missões de espionagem em grandes altitudes durante a Guerra Fria.
Conhecido como “Dama Dragão”, o U-2 foi projetado para voar tão alto que os norte-americanos acreditavam que os mísseis soviéticos não conseguiriam alcançá-lo.
A avaliação estava errada. Em 1º de maio de 1960, um U-2 pilotado por Francis Gary Powers foi abatido pela União Soviética.
Décadas depois, uma versão da mesma linhagem de aeronaves ganhou uma função completamente diferente. Em vez de espionar adversários, o ER-2 agora ajuda cientistas a estudar um dos fenômenos mais extremos provocados pelos incêndios florestais.
O objetivo da missão é transformar essas observações em ferramentas capazes de prever as tempestades de fogo, permitindo compreender melhor seu comportamento e seus impactos na atmosfera.