De Rio Pardo a Não-Me-Toque, Cavaleiros da Tradição conduzem a Chama Crioula
15 de agosto de 2026
A tradição gaúcha ganhou, nesta sexta-feira (14), mais um capítulo na história dos Cavaleiros da Tradição, de Não-Me-Toque. Pela primeira vez desde a fundação do grupo, em 2006, os tradicionalistas participaram da cerimônia de geração da Chama Crioula do Rio Grande do Sul e assumiram a missão de conduzir a centelha a cavalo de Rio Pardo até o município.
A solenidade que marcou a 77ª Geração e Distribuição da Chama Crioula foi realizada em Rio Pardo, município da 5ª Região Tradicionalista, e abriu oficialmente o ciclo dos Festejos Farroupilhas de 2026. O fogo simbólico, que representa a continuidade da tradição e da identidade gaúcha, será levado pelos cavaleiros para diferentes regiões do Estado.
Para os representantes de Não-Me-Toque, porém, a jornada tem um significado ainda mais especial. Depois de participar da geração e receber a centelha neste sábado (15), o grupo parte a cavalo de Rio Pardo para percorrer aproximadamente 260 quilômetros até Não-Me-Toque, levando a Chama Crioula por estradas do interior.
A chegada está prevista para 22 de agosto, quando os Cavaleiros da Tradição serão recebidos em frente à Prefeitura Municipal. A chama permanecerá sob a guarda do município até a abertura oficial da Semana Farroupilha, marcada para 13 de setembro.

Uma jornada inédita para os Cavaleiros da Tradição
A delegação de Não-Me-Toque é formada por 11 tradicionalistas: o patrão do CTG Galpão Amigo, Beno Lütkemeyer; o coordenador da Cavalgada, Celito Zuffo; além de Clézio Goettems, Eugênio da Costa, Gustavo Silva, João Fogliatto, Jorge Bernardo de Quadros, Lindomar Crestani, Rui Horst, Renato Silva e Sérgio Kayser.
O grupo saiu de Não-Me-Toque no dia 12 de agosto, com uma estrutura de apoio formada por ônibus motorhome, caminhão boiadeiro e veículos de suporte. Em Rio Pardo, a delegação participou das atividades coordenadas pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) e acompanhou a sole
A partir deste sábado, começa a parte mais simbólica da missão: levar a chama no lombo do cavalo, atravessando municípios e comunidades até chegar ao coração tradicionalista de Não-Me-Toque.
O roteiro prevê passagens por Passo da Areia, Vera Cruz, Vale do Sol, Serrinha Velha, Lagoão, Soledade e Espumoso antes da chegada ao município.
Mais do que uma viagem, a cavalgada representa um compromisso assumido pelos tradicionalistas com a preservação de uma tradição que atravessa gerações.

Rio Pardo acende a chama dos Festejos Farroupilhas
A cerimônia realizada em Rio Pardo reuniu autoridades, lideranças tradicionalistas, representantes das 30 Regiões Tradicionalistas e a comunidade. O acendimento ocorreu no Sindicato Rural, após o desfile de apresentação das delegações e a solenidade de abertura.
Neste sábado, a centelha foi conduzida até a Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário, onde ocorreu uma nova cerimônia e a distribuição da chama aos cavaleiros que assumiram a missão de levá-la aos diferentes pontos do Rio Grande do Sul.
A escolha de Rio Pardo também carrega um significado histórico. O município integra uma região de forte importância para a formação do Rio Grande do Sul e, neste ano, tornou-se o ponto de partida de uma chama que será espalhada por todo o Estado.

Uma chama que carrega a história de um povo
Reconhecida como patrimônio cultural imaterial do Rio Grande do Sul, a Chama Crioula é um dos principais símbolos do tradicionalismo gaúcho.
A primeira geração ocorreu em 7 de setembro de 1947, quando jovens tradicionalistas liderados por Paixão Côrtes retiraram uma centelha da Pira da Pátria, em Porto Alegre.
Desde então, a chama passou a representar a continuidade de uma história que não se limita aos livros ou aos registros oficiais. Ela percorre estradas, chega aos galpões, é recebida pelas comunidades e passa de mão em mão entre gerações.
Em 2026, essa história ganha ainda outro significado. Os Festejos Farroupilhas têm como tema “Herança Jesuítica e Guarani no Rio Grande do Sul: 400 anos de cultura e tradição”, em homenagem ao quadricentenário das Missões.
A chama que agora deixa Rio Pardo, portanto, carrega consigo muito mais do que uma centelha. Leva a memória, os costumes e os valores que o tradicionalismo busca manter vivos em cada rincão do Estado.

Carazinho também participa da jornada
A região também está representada na geração da Chama Crioula. O Grupo de Cavaleiros Veredas das Tropas, de Carazinho, participa da programação em Rio Pardo e, após receber a centelha, seguirá em cavalgada junto aos grupos de Não-Me-Toque e Sarandi.
A delegação carazinhense conta com cerca de 12 integrantes entre cavaleiros e equipe de apoio. Durante o percurso, que terá aproximadamente 300 quilômetros, entre cinco e seis cavaleiros devem se revezar com os animais.
A chegada a Carazinho está prevista para os dias 23 ou 24 de agosto. A recepção e a distribuição das centelhas no município serão organizadas pelo Conselho Municipal de Tradicionalismo Gaúcho (CMTG) e pelo Departamento de Cultura.
Assim, enquanto diferentes grupos percorrem as estradas do Estado, a Chama Crioula segue cumprindo seu destino: ser levada de um lugar a outro pelo próprio povo que mantém viva a tradição gaúcha.
Para Não-Me-Toque, a chegada terá um significado especial. Será o ponto final de uma jornada inédita dos Cavaleiros da Tradição e, ao mesmo tempo, o início de mais uma etapa dos Festejos Farroupilhas no município.
