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Inadimplência recua em maio, mas segue próxima dos maiores níveis da série histórica no RS e em Porto Alegre

Economia

16 de junho de 2026

Inadimplência recua em maio, mas segue próxima dos maiores níveis da série histórica no RS e em Porto Alegre
Apesar da melhora, os indicadores permanecem em patamares historicamente elevados
Foto: Freepik

A inadimplência das pessoas físicas registrou leve recuo em maio no Rio Grande do Sul e em Porto Alegre, segundo levantamento da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) da Capital com base em dados da Equifax/Boa Vista.

No Estado, o percentual de adultos com restrições em crédito, cheque ou protesto passou de 37,35% para 37,21%. Em Porto Alegre, a taxa recuou de 37,85% para 37,83%.

Apesar da melhora, os indicadores permanecem em patamares historicamente elevados. Tanto no RS quanto em Porto Alegre, os percentuais atuais representam os segundos maiores níveis da série iniciada em 2022, ficando atrás apenas dos resultados registrados em abril deste ano.

Em números absolutos, estima-se que 3,191 milhões de gaúchos e 406,6 mil moradores de Porto Alegre estejam atualmente com alguma restrição. Na comparação com abril, houve redução de aproximadamente 12,1 mil CPFs no Estado e de 194 na Capital.

Segundo o economista-chefe da CDL Poa, Oscar Frank, parte da melhora observada em maio pode refletir os efeitos da nova etapa do Desenrola Brasil, a partir da renegociação de dívidas com condições vantajosas nas linhas mais caras e da retirada automática de registros negativos de até R$ 100. O economista, no entanto, ressalta que o programa tem caráter paliativo e não resolve os fatores estruturais que sustentam os elevados níveis de inadimplência no País.

“O ambiente econômico segue pressionado pela reaceleração da inflação, influenciada pelo conflito no Oriente Médio, e por um ciclo de queda da Selic que tende a ser limitado, restringindo o alívio no custo do crédito”, afirmou Frank.

O economista também destacou que outros fatores vêm contribuindo para o agravamento do quadro. Entre eles, estão a expansão das apostas esportivas on-line (bets), a facilidade na contratação do crédito consignado privado e a persistente deficiência de educação financeira da população.

Empresas

No caso das empresas, a inadimplência recuou pelo segundo mês consecutivo. A taxa passou de 17,44% para 17,38% no Rio Grande do Sul e de 17,51% para 17,42% em Porto Alegre. Atualmente, cerca de 283,8 mil empresas gaúchas e 46,1 mil empresas da Capital encontram-se na base de negativados.

Para Oscar Frank, a queda recente pode ter conexão com a flexibilização das condições das linhas de crédito para pequenos empreendedores, mas os indicadores seguem pressionados pelo aumento dos custos operacionais e pelas incertezas do cenário econômico. “ As reduções foram muito pequenas e o panorama permanece complexo”, afirmou.

Fonte: Redação O Sul