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Farsul celebra 99 anos com posse de diretoria e cobranças por segurança jurídica e apoio financeiro ao Sul

Notícias

25 de maio de 2026

Farsul celebra 99 anos com posse de diretoria e cobranças por segurança jurídica e apoio financeiro ao Sul
Cerimônia foi realizada na sede da entidade, em Porto Alegre, neste domingo (24/05)
Foto: Emerson Foguinho / Divulgação Sistema Farsul

Em uma data de forte carga simbólica, a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), a entidade sindical do setor mais antiga do país, realizou neste domingo (24/05) a cerimônia de posse de sua nova diretoria para o quadriênio 2026-2029. O evento, que aconteceu na sede da federação, em Porto Alegre, coincidiu exatamente com o aniversário de 99 anos de fundação da Farsul (criada em 24 de maio de 1927). A solenidade reuniu autoridades estaduais, parlamentares da bancada ruralista, lideranças do agronegócio e representantes de 136 sindicatos rurais associados, marcando também o início das comemorações rumo ao centenário da instituição, em 2027. Na ocasição, também aconteceu a inauguração do quadro de Gedeão Silveira Pereira na galeria de ex-presidentes. 


O engenheiro agrônomo e produtor rural Domingos Antônio Velho Lopes assumiu a presidência da entidade, posto que já vinha exercendo na prática desde o início de janeiro. Natural do Litoral Norte gaúcho e produtor em Mostardas e Palmares do Sul há mais de três décadas, Lopes foi eleito em outubro de 2025 em chapa única. Ele obteve 120 votos favoráveis dos 123 sindicatos que participaram do pleito – a 44ª eleição da história da Farsul, tornando-se o 25º presidente da entidade

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A transição ocorre em um dos momentos mais agudos da agropecuária do Sul, atingida por uma sequência histórica de quebras de safra decorrentes de estiagens consecutivas e enchente histórica. Na abertura da solenidade, o novo presidente destacou o “dia histórico e muito especial” que, além do aniversário da federação, também oficializou a instalação dos novos conselhos administrativo, fiscal e da diretoria executiva do Senar/RS.

Tradição, evolução e “Cláusulas Pétreas”


Em seu pronunciamento, Domingos Velho Lopes definiu o tom que deve nortear sua gestão diante do horizonte histórico. “A Farsul do centenário deve honrar sua história sem se acomodar nela. Deve preservar seus valores sem deixar de evoluir. Deve ser voz firme na defesa do produtor rural e, ao mesmo tempo, parceira na construção de soluções.”


Domingos adotou o tom característico da entidade ao elencar o direito de propriedade e a livre iniciativa como balizadores inegociáveis. “Para nós, é cláusula pétrea o direito de propriedade. A propriedade rural não é apenas um patrimônio individual, ela é fruto de gerações de esforço e dedicação. Sem segurança jurídica, não há desenvolvimento sustentável”, declarou, sob aplausos. Ele também ressaltou a resiliência, competência, coragem e o espírito associativo do produtor gaúcho, destacando a segurança no campo como um valor essencial do estado.


O novo mandatário sucede o médico veterinário Gedeão Silveira Pereira, que comandou a instituição entre 2017 e 2025. Gedeão permanece ligado ao sistema como diretor vice-presidente da nova diretoria e assumiu o cargo de 1º vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Ao tomar a palavra, o ex-presidente criticou duramente o governo federal, chamando a condução econômica do país de “administração desastrosa” devido ao impacto asfixiante das taxas de juros sobre o produtor. Gedeão fez menção direta a uma faixa estendida na fachada da sede com a palavra “securitização”, classificando a necessidade constante de renegociar dívidas como um “desgaste que parece não sair da frente”.


O cenário de dificuldades operacionais foi endossado pelo diretor-geral do Senar Nacional, Daniel Carrara. Falando em nome da CNA, Carrara sublinhou que comandar a Farsul neste período significa pilotar “no meio de uma tempestade perfeita”, alertando para gargalos imediatos nas próximas safras, como o risco real de desabastecimento global de insumos (como fertilizantes) e o encarecimento logístico do óleo diesel.

Fundo Regional e repressão a invasões
Representando o governo estadual, o vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza, cumprimentou o novo presidente em tom afetuoso e bem-humorado, fazendo menção ao perfil técnico do setor. “Cumprimento o caríssimo amigo presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, meu conterrâneo lá do Litoral Norte. Botamos dois veterinários na agricultura agora para dar uma tocada junto com o agrônomo na Farsul”, brincou, referindo-se aos secretário estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Márcio Madalena, e seu adjunto, Antonio Carlos de Quadros Ferreira Neto, presentes no evento.


No campo político e econômico, Gabriel Souza aproveitou o palco para encampar uma bandeira de descentralização de recursos federais, defendendo a criação de um Fundo Constitucional para a Região Sul, nos moldes dos fundos existentes há décadas para o Nordeste (FNE), Norte (FNO) e Centro-Oeste (FCO). “O grande motivo que levou o país a criar fundos constitucionais foram questões climáticas e desigualdades regionais. O Rio Grande do Sul enfrentou cinco estiagens graves nas últimas seis safras de verão. É o pedaço do Brasil que mais sofre com as mudanças climáticas na atualidade. Está na hora do Congresso Nacional discutir um fundo para o Sul”, argumentou Souza.


O vice-governador fez referência ao Projeto de Lei 5122, que tramita no Parlamento para viabilizar a securitização de dívidas de produtores locais, e reafirmou o compromisso do Executivo gaúcho com a repressão imediata a conflitos agrários. Segundo ele, o governo monitorou e coibiu sete tentativas de invasão de propriedades privadas nos últimos meses por meio de ações preventivas de inteligência da Brigada Militar.

Infraestrutura, tecnologia e economia estadual


Apesar do tom de alerta político, a solenidade serviu para referendar avanços estruturais na formação técnica, com destaque para o recente lançamento do Centro de Formação Profissional Rural do Senar em Hulha Negra, projetado para se transformar em um polo nacional de capacitação de operadores de maquinários agrícolas de alta tecnologia e operação de drones.
No âmbito econômico do estado, o governo gaúcho anunciou duas medidas de forte apelo ao setor produtivo. O início das operações de extração de fosfato em Lavras do Sul está previsto para o começo de junho, após três anos de disputas judiciais sobre o licenciamento ambiental. Além do destravamento dos procedimentos para mineração de areia no Lago Guaíba que promete atuar como um mecanismo conjunto de desassoreamento de canais hídricos.


O evento foi encerrado de maneira tradicional com a execução do Hino Rio-Grandense e o corte de um bolo comemorativo aos 99 anos da instituição, projetando um ano de mobilizações intensas da bancada gaúcha em Brasília antes do centenário que se consolidará em 24 de maio de 2027.

Perfil do Presidente
Formado em agronomia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Domingos Velho Lopes iniciou sua trajetória no movimento sindical em 1997, na presidência do Sindicato Rural de Mostardas, e passou a integrar a diretoria da Farsul em 2013. Antes de chegar à presidência, foi secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural em 2022 (governo Eduardo Leite) e é membro titular da Comissão Nacional do Meio Ambiente da CNA.


Confira abaixo o discurso de posse de Domingos Velho Lopes


Senhoras e senhores,
autoridades, lideranças do setor produtivo, representantes das entidades parceiras, parlamentares, produtores rurais, sindicalistas, colaboradores da SISTEMA FARSUL, amigos e todos que nos honram com sua presença neste dia histórico.
Hoje não celebramos apenas uma posse!Hoje abrimos oficialmente o ano do centenário da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul, a federação mais antiga do nosso país, inclusive mais antiga que a nossa CNA.
Cem anos representam muito mais do que uma marca na linha do tempo. Representam gerações de homens e mulheres que construíram, com trabalho e coragem, a agricultura mais forte do Brasil. Gente que transformou dificuldade em oportunidade, terreno fértil em desenvolvimento e produção em prosperidade para todo o Rio Grande do Sul.
A FARSUL chega aos seus 100 anos com raízes e valores profundos e com os olhos voltados para o futuro.
Ao longo de sua história, esta Federação esteve presente nos momentos decisivos do Estado e do país. Na defesa permanente da agricultura e pecuária como setor econômico, sob o qual surgem inúmeros oportunidades para indústria, comércio e serviços, conectando-os e formando o conceito de agronegócio, o setor mais importante do presente e futuro do Brasil. Foi aguerrida quando era preciso firmeza. Dialogou quando era preciso equilíbrio. Sem jamais abrir mão dos princípios que sustentam o agro gaúcho: liberdade, responsabilidade, trabalho e respeito à lei.
Entre esses princípios, há um que precisa ser reafirmado permanentemente: o direito de propriedade.

A propriedade rural não é apenas um patrimônio individual. Ela é fruto de gerações de esforço, investimento, planejamento e dedicação. É nela que as famílias gaúchas construíram sua história, produzem alimentos, preservam o meio ambiente, geram empregos e movimentam a economia.
Defender o direito de propriedade é defender segurança jurídica, estabilidade institucional e confiança para produzir e progredir. Sem isso, não há investimento. Sem isso, não há desenvolvimento sustentável, sem isso, não há futuro para o campo brasileiro e para nossa Sociedade.
Da mesma forma, reafirmamos nossa crença na livre iniciativa.
Foi a liberdade de empreender que permitiu ao produtor rural gaúcho superar crises climáticas, econômicas e logísticas, inovar no campo e transformar o Rio Grande do Sul em referência nacional e internacional em produtividade, tecnologia e eficiência.
Também acreditamos na meritocracia.
No valor do esforço, da competência, da dedicação e da capacidade de inovar.
No campo, os resultados não vêm por acaso. Eles vêm da disciplina de acordar cedo, da coragem de assumir riscos, da busca constante por conhecimento e da perseverança diante das adversidades.
Mas nenhuma instituição chega aos 100 anos sozinha.
A força da FARSUL sempre esteve na sua capacidade de representar diferentes culturas, regiões, perfis de produtores e realidades produtivas. Representar a pequena propriedade, o médio produtor e o agricultor empresarial. Para a Farsul, o produtor não tem tamanho. Representar o campo gaúcho em sua diversidade mas principalmente em sua unidade.
E é justamente nesse espírito que assumo hoje, ao lado desta competente diretoria e deste grupo fantástico de técnicos e colaboradores que me honram todos os dias pela excelência de seu conteúdo.
Permitam-me um registro pessoal. Venho de uma família que aprendeu cedo o significado de viver da terra, e é dessa convivência – com pais, mestres e companheiros de lida – que trago para esta cadeira a convicção mais profunda que possuo: a de que o agro não é uma abstração econômica. É gente. É gente que madruga, que reza pela chuva, que se reinventa a cada safra
Desde os anos 2000, tive a oportunidade de servir esta Federação em diferentes funções, sempre aprendendo com os produtores rurais gaúchos e meus mestres, estando alicerçados na força do nosso sistema sindical. E foi nessa caminhada que consolidei uma convicção: a FARSUL precisa continuar sendo feita e comandada por agricultores e pecuaristas, por pessoas que conhecem a realidade do campo e vivem diariamente os desafios de produzir no Rio Grande do Sul.
São justamente esses produtores diversos, presentes em todas as regiões do Estado, que dão legitimidade, força e propósito à nossa Federação.
Recebo esta missão com humildade, espírito coletivo, muita coragem e profundo respeito e admiração por todos aqueles que construíram os primeiros 100 anos da FARSUL.
O Rio Grande do Sul exige união.
O agro exige responsabilidade.
E o futuro exige capacidade de construir consensos sem abrir mão de princípios e valores.
Temos enormes desafios pela frente: infraestrutura, logística, inovação, sustentabilidade, crédito, sucessão familiar, competitividade internacional e segurança no campo. Mas temos também aquilo que sempre diferenciou o povo gaúcho: resiliência, competência, coragem e espírito associativo.
A FARSUL do centenário deve honrar sua história sem se acomodar nela. Deve preservar seus valores sem deixar de evoluir. Deve ser voz firme na defesa do produtor rural e, ao mesmo tempo, ponte para o diálogo e para a construção de soluções.
Que os próximos 100 anos sejam guiados pelo mesmo espírito que trouxe esta Federação até aqui: o respeito ao trabalho, à liberdade, à coragem de defender seus princípios e à dignidade de quem produz.
Porque quando o campo prospera, o Rio Grande cresce.
Quando o produtor tem segurança, o país avança.
E quando há união em torno de valores sólidos, o futuro se torna possível.
Muito obrigado!

Fonte: Divulgação / Farsul