Governo Trump impõe sanções ao Tribunal Penal Internacional após anúncio do Nobel da Paz
09 de outubro de 2026
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (9) sanções contra o Tribunal Penal Internacional (TPI). A decisão foi divulgada poucas horas após Navi Pillay, ex-juíza da instituição, ser anunciada como vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026.
A medida amplia o conflito entre Washington e a corte internacional, que já havia sido alvo de restrições contra magistrados e integrantes da equipe de acusação. As novas sanções também podem atingir empresas que prestam serviços ao tribunal, aumentando a pressão sobre o funcionamento da instituição.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, criticou duramente a atuação do TPI e classificou a instituição como um “tribunal desonesto”. Em uma declaração em vídeo, ele defendeu o encerramento das atividades da corte e afirmou que, caso o tribunal não interrompa o que considera ameaças aos interesses dos Estados Unidos, o próprio governo norte-americano tomará medidas para acabar com sua atuação. Rubio também pediu que países aliados pressionem a instituição.
A postura do governo Trump reforça a oposição dos Estados Unidos à atuação do TPI em processos que envolvam cidadãos norte-americanos ou autoridades de países aliados. Washington questiona a legitimidade da corte para conduzir determinadas investigações e sustenta que a instituição não deve exercer jurisdição sobre cidadãos de países que não aderiram ao tratado que a criou.
A decisão provocou reação da direção do Tribunal Penal Internacional. A vice-procuradora Nazhat Shameem Khan condenou as sanções e afirmou que as medidas não impedirão a continuidade dos trabalhos da corte.
O tribunal considera que as restrições representam uma ameaça à independência judicial e ao Estado de Direito, princípios fundamentais para a atuação da Justiça internacional. A possibilidade de penalizar empresas que fornecem serviços à instituição também gera preocupação quanto aos impactos sobre suas operações.
Com sede em Haia, nos Países Baixos, o Tribunal Penal Internacional foi criado para julgar crimes como genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Os Estados Unidos não são signatários do Estatuto de Roma, tratado que estabelece as bases jurídicas da instituição.
O anúncio das sanções ocorre em meio a divergências entre o governo norte-americano e organismos internacionais. A medida pode intensificar o debate sobre a independência da Justiça internacional e os limites da pressão política exercida por governos nacionais sobre instituições responsáveis pela investigação e pelo julgamento de crimes graves.
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