Reajuste do Bolsa Família gera questionamentos sobre momento do anúncio
18 de setembro de 2026
O governo federal anunciou um aumento de 15% nos valores do Bolsa Família, com pagamento reajustado a partir da folha de outubro. A medida, divulgada 17 dias antes do primeiro turno das eleições, provocou questionamentos sobre o momento escolhido para a mudança.
Com o reajuste, o benefício mínimo passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio recebido pelas famílias deverá chegar a R$ 777. Segundo o governo, a medida terá custo estimado de R$ 5,8 bilhões em 2026 e cerca de R$ 22 bilhões em 2027.
O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que o reajuste está previsto nas regras do programa e representa uma recomposição da perda do poder de compra dos beneficiários. Segundo ele, o INPC acumulado desde março de 2023 até agosto deste ano chegou a 15,04%, percentual próximo ao adotado no aumento.
A controvérsia está principalmente na proximidade do reajuste com as eleições. Em maio, Moretti havia declarado que não existia previsão de aumento. Na ocasião, o governo também anunciou um bloqueio de R$ 23,7 bilhões no Orçamento de 2026 para cumprir as regras fiscais.
Outro ponto discutido é que a proposta de Orçamento de 2027, enviada ao Congresso em agosto, reservava R$ 157,1 bilhões para o Bolsa Família e mantinha o benefício mínimo em R$ 600. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o novo gasto será incorporado ao Orçamento sem comprometer as metas fiscais.
O governo sustenta que a medida tem caráter de recomposição do poder de compra e que existe espaço fiscal para absorver os custos nos próximos anos.