Piquete reúne objetos antigos e preserva a memória da tradição gaúcha no Acampamento Farroupilha
10 de setembro de 2026
Rádios, máquinas de costura, utensílios domésticos, facas, garruchas e outros objetos que remetem a diferentes épocas da vida no campo dividem espaço com o fogão a lenha e o chão batido no Piquete Guerreiros da Zona Norte, no Acampamento Farroupilha, em Porto Alegre. O local, mantido pelo casal Eros Roberto Silvas dos Santos, de 71 anos, e Rosângela Ferreira Prestes, de 62, funciona quase como um pequeno museu da cultura gaúcha.
Casados há 41 anos, os dois construíram uma relação com o tradicionalismo. Natural de Santa Maria, ele conta que começou a participar do movimento há cerca de quatro décadas. Antes do Guerreiros da Zona Norte, também esteve envolvido com outros galpões, até que, em 2002, criou o piquete que mantém até hoje. “Eu completo 39 anos de Harmonia neste ano. Já fundei outros piquetes que não deram certo, até que montamos o Guerreiros da Zona Norte em 2002. Desde então mantemos a tradição de montar o nosso galpão no Acampamento Farroupilha”, conta.
A rusticidade do espaço é proposital, segundo o patrão, que destaca o contraste com o fato de residir em apartamento, com todo o conforto à disposição. “Aqui tudo é rústico e a gente tenta reproduzir o ambiente que eu conheci na infância”, diz.
A coleção, que é a marca característica do espaço, começou a ganhar forma em 2005. Parte foi comprada pelo casal em viagens pelo interior do Estado e em lojas de antiguidades, ou foi doada por pessoas que decidiram se desfazer de peças antigas.
Entre os objetos, estão peças que já não fazem parte do cotidiano da maioria das pessoas. Para Santos, manter esses itens expostos também é uma forma de apresentar às novas gerações ferramentas, utensílios e costumes que poderiam desaparecer da memória. “Eu sempre mostro os materiais para a gurizada mais nova, que não conhece nada do que era usado antigamente, durante as visitas que recebemos. Eles ficam surpresos com o funcionamento das ferramentas”, afirma.
A preservação também passa pela forma de receber quem visita o espaço. Embora o piquete não seja aberto ao público de maneira permanente, o galpão recebe visitantes durante o Acampamento Farroupilha. Santos conta que já recebeu pessoas de outros Estados e até estrangeiros interessados em conhecer detalhes da cultura gaúcha.
Para manter a estrutura, o casal também precisa arcar com os custos durante o ano. Sem patrocínio, parte dos recursos é reservada com antecedência para a montagem do galpão e para a compra de alimentos e materiais. “Quando termina o evento no dia 20 de setembro, a gente já começa a guardar dinheiro. Todos os anos, para a montagem do piquete, temos que comprar materiais de construção que acabam tendo que ser substituídos. Além disso, temos que comprar os mantimentos para a alimentação durante o período”, relata.
Durante o Acampamento, a rotina é marcada pelos encontros com familiares e amigos. Do arroz e feijão no fogão à lenha ao churrasco, o cardápio é variado, de acordo com a quantidade de convidados. O objetivo, para o casal, é preservar a tradição. “Enquanto tem gente que vem para ganhar dinheiro, nós sempre viemos para mostrar a cultura. Isso nos orgulha e nos emociona”, conclui Santos.

Fonte: Correio do Povo