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Tradição herdada do pai faz caseiro transformar o Acampamento Farroupilha em moradia há 16 anos

Notícias

09 de setembro de 2026

Tradição herdada do pai faz caseiro transformar o Acampamento Farroupilha em moradia há 16 anos
Nairo Miguel Campos participa do Acampamento Farroupilha desde 2010
Foto : Fabiano do Amaral

Durante cerca de 40 dias por ano, a casa de Nairo Miguel Campos, 61 anos, deixa de ser a residência onde passa o restante do ano e passa a ser um galpão montado no Parque Harmonia, em Porto Alegre. Desde 2010, ele participa do Acampamento Farroupilha no Piquete do Esgualepado, da Lomba do Pinheiro, onde é caseiro e fica responsável pelo espaço no Parque Harmonia, na ausência do patrão, Ademir Feijó Dutra.

A relação de Campos com o tradicionalismo, porém, começou antes do piquete. Foi o pai, já falecido, quem despertou nele o interesse pelas tradições gaúchas. A partir daí, vieram as amizades e a ligação com o Esgualepado, que fizeram com que o Acampamento passasse a ocupar uma parte fixa do calendário. “Foi através de uma amizade que passei a participar do piquete, mas o que me trouxe mesmo foi o meu pai, já falecido. Ele que gostava muito da tradição gaúcha e eu herdei essa paixão”, conta.

Desde então, Campos conta que não falta a uma edição. São 16 anos participando do evento no Harmonia, mas a tradição também é mantida no restante do ano, frequentando a sede do piquete.

Durante o dia no Acampamento, a rotina varia conforme a movimentação. Há momentos de maior circulação, quando amigos e visitantes chegam para conversar, preparar um churrasco ou participar das atividades do piquete. À noite, quando o movimento diminui, ele permanece sozinho no galpão.

O Esgualepado é aberto para receber visitantes, mas não funciona como um restaurante. O espaço não comercializa refeições e não tem como objetivo obter lucro. A manutenção do piquete ocorre a partir do esforço dos próprios integrantes e do consumo realizado pelos frequentadores.

Para aqueles que querem utilizar a estrutura para o tradicional churrasco, o local permanece disponível. As refeições também são organizadas conforme o número de pessoas previsto para cada dia. O ambiente comporta grupos menores e a programação é combinada antecipadamente entre Campos e o patrão.

Na cozinha, a carne costuma ser protagonista, mas há espaço para variar. Costelão, carreteiro e outros pratos são preparados conforme a agenda. Em alguns momentos, Campos também busca fugir do cardápio tradicional de carne. “Às vezes fizemos até uma sopa para sair um pouco da carne”, conta.

A rotina também é marcada pelas amizades renovadas a cada ano. Para o caseiro, as relações construídas ao longo dos anos fazem parte da experiência de viver no Acampamento. “Eu me emociono ao falar sobre o que vivo aqui. É como se as pessoas virassem parte da nossa família. É muito bom”, afirma.

A história do Piquete do Esgualepado começou antes da chegada de Campos. Segundo o patrão Ademir Feijó Dutra, a estrutura foi criada em 1996. “Começamos com um grupo de motociclistas que decidiram acampar no Harmonia. A gente vinha para cá e montava barracas naquela época”, relembra Dutra.

Ao longo de mais de três décadas, o grupo manteve a ligação com o Acampamento e também com a sede do piquete, localizada na Lomba do Pinheiro. Segundo Dutra, cerca de 100 pessoas circulam pelo espaço e também frequentam o sítio ao longo do ano.

Para o patrão, a permanência no Acampamento representa a continuidade de uma tradição construída ao longo de décadas. “Viemos para cá todos os anos, com sol, chuva, temporal ou raios, independentemente do clima, para manter essa tradição”, conclui.

Fonte: Correio do Povo