Domingo, 06 de Setembro de 2026

Domingo
06 Setembro 2026

Tempo agora

Parcialmente nublado 6
Parcialmente nublado 10°C | 2°C
Tempo limpo
Seg 07/09 14°C | 0°C
Tempo limpo
Ter 08/09 19°C | 6°C

Receita do governo deve atingir recorde histórico de 23,7% do PIB em 2026

Notícias

06 de setembro de 2026

Receita do governo deve atingir recorde histórico de 23,7% do PIB em 2026
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A receita total do governo federal deve chegar a R$ 3,24 trilhões em 2026, o equivalente a 23,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Se a projeção se confirmar, será o maior percentual registrado na série histórica da Secretaria do Tesouro Nacional, iniciada em 1997.

A estimativa consta da proposta de Orçamento de 2027 encaminhada ao Congresso Nacional. O percentual previsto para este ano supera o recorde anterior, registrado em 2010, quando a receita total representou 23,6% do PIB. Entre 1997 e 2025, a média ficou em 21,4%.

Para 2027, a equipe econômica projeta uma leve redução da receita em relação ao tamanho da economia, para 23,4% do PIB. Em valores nominais, entretanto, a previsão é de R$ 3,46 trilhões. O projeto também estima um superávit de R$ 18,6 bilhões nas contas públicas no próximo ano.

A receita total calculada pelo Tesouro inclui a arrecadação de tributos federais e outras fontes de recursos, como royalties, concessões e dividendos. O indicador não considera receitas de estados e municípios e, portanto, não corresponde à carga tributária total do país.

O avanço previsto para 2026 ocorre em meio ao aumento da arrecadação de tributos e das receitas provenientes da exploração de petróleo. A estimativa do governo é arrecadar R$ 172,1 bilhões com o setor neste ano, ante R$ 139,3 bilhões em 2025.

Entre as medidas que contribuíram para a recomposição da arrecadação estão mudanças na tributação de fundos exclusivos e de recursos mantidos no exterior, a reoneração gradual da folha de pagamentos, alterações no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), a tributação das apostas esportivas e a redução de benefícios fiscais.

Despesas e dívida continuam pressionando as contas

Apesar do crescimento da arrecadação, especialistas avaliam que as despesas públicas seguem avançando em ritmo superior ao das receitas.

A economista-chefe do banco Inter, Rafaela Vitória, avalia que a elevação dos tributos e das receitas do petróleo contribui para o aumento da arrecadação, mas considera que as contas públicas ainda devem registrar déficit primário em 2026.

O pesquisador do FGV IBRE Rafael Barros Barbosa também aponta que o crescimento dos gastos acima das receitas contribui para o aumento da dívida pública em relação ao PIB.

A dívida do setor público consolidado chegou a 82,5% do PIB em agosto, segundo os dados citados na reportagem. Para o economista, o aumento do endividamento também pressiona os juros, já que a necessidade de financiamento do governo pode elevar o prêmio exigido pelos investidores e dificultar a redução das taxas na economia.