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Brasil testa plataforma espacial que pode alcançar mais de 100 quilômetros de altitude

Notícias

06 de setembro de 2026

Brasil testa plataforma espacial que pode alcançar mais de 100 quilômetros de altitude
Foto: FAB/Divulgação

O Brasil realiza um teste para qualificar uma plataforma desenvolvida para funcionar como um laboratório espacial e alcançar mais de 100 quilômetros de altitude antes de retornar à Terra de paraquedas. A operação ocorre no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, em Parnamirim, no Rio Grande do Norte, e conta com a participação da Força Aérea Brasileira (FAB).

A Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM-R) é transportada pelo foguete brasileiro VS-30 V16, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). O equipamento foi projetado para levar experimentos científicos a altitudes superiores a 100 quilômetros, faixa considerada o início do espaço pela convenção mais utilizada.

Durante o voo, a plataforma permanece em condições de microgravidade por aproximadamente seis a oito minutos. O ambiente permite a realização de experimentos científicos em condições que não podem ser reproduzidas da mesma forma na superfície terrestre.

A microgravidade pode ser utilizada em pesquisas relacionadas ao desenvolvimento de materiais, processos de combustão, medicamentos e agricultura espacial. Entre os experimentos transportados estão microrganismos liofilizados e biodosímetros de radiação, utilizados para avaliar os efeitos do ambiente espacial sobre diferentes materiais.

Um dos principais objetivos da operação é testar o sistema de retorno da plataforma. Após atingir a altitude prevista, a PSM-R retorna à Terra presa a um paraquedas, possibilitando a recuperação dos experimentos e a análise dos materiais posteriormente.

Segundo a FAB, a operação busca verificar o funcionamento do sistema de recuperação em condições reais de voo. O teste faz parte da Operação Potiguar 2, realizada no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno.

Tecnologia pode ampliar pesquisas brasileiras

Caso o sistema seja qualificado, o Brasil poderá contar com uma plataforma nacional para realizar lançamentos suborbitais com maior frequência. A tecnologia poderá permitir que universidades e empresas brasileiras enviem experimentos ao ambiente de microgravidade e recuperem posteriormente os materiais utilizados nas pesquisas.

Atualmente, parte significativa das pesquisas brasileiras realizadas em voos desse tipo depende da transmissão de dados por telemetria. Com a recuperação da plataforma, os pesquisadores também poderão analisar diretamente os materiais após o retorno à Terra.

Inaugurado em 1965, o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno é utilizado para lançamentos de foguetes de sondagem e atividades de rastreamento. A estrutura já participou de centenas de lançamentos e integra o programa espacial brasileiro.

O desenvolvimento de tecnologias nacionais para lançamentos, foguetes, satélites e infraestrutura de solo está entre as iniciativas da Agência Espacial Brasileira (AEB) para ampliar a autonomia do país no setor espacial.