Segunda-feira, 24 de Agosto de 2026

Segunda-feira
24 Agosto 2026

Tempo agora

Tempo nublado 7
Tempo nublado 16°C | 3°C
Tempo nublado
Ter 25/08 20°C | 7°C
Chuvas esparsas
Qua 26/08 21°C | 12°C

Safra de tabaco começa com ‘bastante apreensão’

Agro

24 de agosto de 2026

Safra de tabaco começa com ‘bastante apreensão’
Projeção é de que a área desta safra seja semelhantes à passada, que foi de quase 309 mil hectares na Região Sul
Foto : Afubra / Divulgação

A nova safra de tabaco já está em pleno andamento, ainda que em diferentes estágios, conforme a região. Em algumas localidades, o transplante foi realizado mais cedo e as lavouras estão em desenvolvimento, enquanto em outras, os produtores ainda estão na fase de preparação das mudas, com o transplante previsto para agosto, setembro e até outubro.

O cenário diverso é comum em razão da diversidade de épocas de cultivo nos três estados, que produzem quase a totalidade do produto no país, informa a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra).

“Neste momento, porém, as condições climáticas exigem atenção, especialmente por influenciarem tanto o transplante quanto o desenvolvimento inicial das plantas”, explica o presidente da entidade, Marcílio Drescher.

Conforme ele, a programação de semeadura e a perspectiva de plantio para 2026/2027 indicam, neste momento, uma área muito semelhante à da safra anterior, que foi de 308.943 hectares. “Ainda é cedo. Uma estimativa mais precisa deverá ser apresentada em meados de novembro, quando o plantio estiver mais avançado”, afirma.

Cautela

O dirigente revela que o cenário entre os fumicultores é de “certa cautela”, principalmente em função dos preços recebidos na comercialização da última safra. Além disso, será um cultivo que se desenvolverá sob os efeitos do El Niño.

“De maneira geral, a safra 2026/27 começa com bastante apreensão por parte dos produtores. Uma das principais preocupações está relacionada aos preços. Caso se repita uma produção elevada, como a registrada na última safra, poderá haver novamente um desequilíbrio entre oferta e demanda, com reflexos negativos na remuneração dos fumicultores”, adverte.

Além disso, “há a preocupação com os possíveis efeitos do El Niño, especialmente pelo excesso de chuvas e pelos impactos que essas condições podem causar na produtividade das lavouras”. Portanto, é uma safra que se inicia “cercada de incertezas tanto no aspecto econômico quanto climático.”

Comercialização tardia

Drescher explica que, na safra passada, no Rio Grande do Sul, especialmente na região Sul, a comercialização ocorreu de forma mais tardia do que em anos anteriores, o que contribuiu para a percepção de cautela pelos fumicultores.

“Mesmo assim, diante da baixa rentabilidade também observada em outras culturas produzidas nas pequenas propriedades, o tabaco segue sendo visto por muitos agricultores como uma alternativa de menor risco em termos de rendimento”, acrescenta.

A ocorrência de El Niño tem gerado preocupação, porque, historicamente, anos com maior volume de chuvas podem afetar a produtividade do tabaco, especialmente se as precipitações forem frequentes e persistentes ao longo do ciclo da cultura.

Além disso, outra preocupação é o granizo, que também costuma apresentar maior intensidade em anos de El Niño, o que aumenta o risco de perdas nas lavouras.

“Embora os produtores contem com o Sistema Mutualista da Afubra, que oferece amparo em casos de danos, um auxílio nunca substitui integralmente o resultado que o fumicultor teria com uma lavoura concluída e comercializada normalmente”, lembra.

“Por isso, há apreensão em relação ao comportamento do clima nesta safra, não apenas para o tabaco, mas também para outras culturas que podem ser prejudicadas pelo excesso de chuva”, explica Dresher.

Fonte: Correio do Povo