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Certificação da lã gaúcha alcança quase 600 mil quilos em quatro safras

Agro, Estado

31 de julho de 2026

Certificação da lã gaúcha alcança quase 600 mil quilos em quatro safras
Rio Grande do Sul concentra mais de 90% da lã brasileira com valor têxtil
Foto : Arco / Divulgação

A certificação da lã gaúcha alcançou quase 600 mil quilos em quatro safras desde o início do programa conduzido pela Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco). Os resultados foram apresentados nesta quinta-feira (30), durante o 3º Dia da Lã, realizado na sede do Sindicato Rural de Santana do Livramento.
O presidente da Arco, Edemundo Gressler, afirmou que a cadeia iniciou uma nova etapa após um período no qual a lã perdeu participação na renda das propriedades. Segundo ele, a certificação acrescenta critérios técnicos ao conhecimento acumulado por gerações de criadores na seleção para peso, brancura dos velos e qualidade das fibras.

“A lã pagava as contas e, depois, deixou de pagar. Passamos por um período de muita timidez, até percebermos que algo precisava ser feito”, afirmou Gressler.

O presidente também informou que o Rio Grande do Sul concentra mais de 90% da lã brasileira com valor têxtil e defendeu o avanço na identificação, na qualificação e na apresentação dos lotes.

Ozootecnista e técnico da Arco na parceria com o Fundovinos, Leonardo Santos Farion, disse que a safra 2022/23 teve 120.130 quilos certificados. O volume passou para 190.661 quilos em 2023/24, ficou em 139.116 quilos em 2024/25 e chegou a 121.523 quilos em 2025/26.
Juntos, os quatro ciclos levaram o programa a quase 600 mil quilos de lã acondicionada.

Farion avaliou que o total ainda representa uma parcela reduzida do potencial gaúcho, principalmente entre produtores que comercializam a fibra sem conhecer a finura, o rendimento ao lavado e a composição dos lotes. “Se não conhecermos a finura, o rendimento e a qualidade da lã, não temos como formar o preço. Muitos produtores ainda estão deixando dinheiro na propriedade por não medir e classificar o produto”, afirmou.

Os valores de referência apresentados variaram conforme a micronagem, medida que indica a espessura da fibra. As cotações foram de US$ 10 por quilo para lãs de 18 micra, US$ 8,50 para 20 micra, US$ 6,50 para 22 micra, US$ 5 para 24 micra, US$ 2,60 para 28 micra e US$ 2,40 para 31 micra, antes dos custos de frete e comercialização. Para Farion, a medição e a separação dos lotes interferem diretamente na remuneração. “A certificação converte precisão técnica em dólares. Quando o produtor conhece o produto, consegue negociar com dados e agregar valor ao mesmo rebanho”, explicou.

As propriedades certificadas registraram, em 2024, aumento de 52,8% no valor líquido da lã e de 65,1% na receita por ovelha em relação ao ano anterior. Os resultados consideraram o acondicionamento, a análise laboratorial e a comercialização de lotes identificados.

Entre os próximos desafios estão ampliar a presença da lã certificada nos mercados interno e externo, aumentar a adesão de produtores e qualificar mais mão de obra especializada, especialmente nas comparsas. O programa também prevê capacitação integrada dos profissionais e a segunda edição do Manual de Normas de Acondicionamento, elaborado em parceria entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e a Arco.

Fonte: Correio do Povo