Cooperativas gaúchas iniciam as obras da Soli3, nova indústria de produção de biodiesel em Cruz Alta/RS
01 de julho de 2026
Mais um marco importante para o desenvolvimento regional e estadual foi dado nesta terça-feira, 30, pelas cooperativas Cotrijal (Não-Me-Toque/RS), Cotripal (Panambi/RS) e Cotrisal (Sarandi/RS). Evento com a presença de autoridades, empresas parceiras, entidades e imprensa marcou o início das obras da nova indústria de processamento de soja e produção de biodiesel Soli3, empreendimento resultado da união de esforços entre as três maiores cooperativas agropecuárias do Rio Grande do Sul. O momento foi realizado em Cruz Alta/RS, no local onde a planta industrial será instalada.
Recentemente, a Soli3 recebeu do governo do estado a Licença de Instalação, finalizando o processo de licenciamento ambiental que autoriza o início das obras. A construção está começando com a execução dos serviços de terraplanagem e montagem do canteiro de obras. Além disso, a Soli3 está na fase final de contratação da construtora responsável pelas obras civis, que envolvem a construção da infraestrutura do complexo. O início dessa etapa também está previsto para o segundo semestre de 2026.
Trata-se de um cronograma integrado, em que as diferentes frentes de trabalho avançam de forma simultânea. Dessa forma, enquanto o trabalho de terraplanagem avança, as obras civis serão executadas em paralelo, à medida que houver áreas liberadas. A sequência do projeto prevê a execução das fundações, das estruturas de concreto e metálicas, das edificações de apoio e, posteriormente, a montagem eletromecânica dos equipamentos industriais.
“A conquista da Licença de Instalação é o passo definitivo que nos autoriza a iniciar as obras de construção da Soli3. Como presidente em exercício, vejo esse momento com muita responsabilidade e respeito à decisão conjunta da Cotrijal, Cotripal e Cotrisal. Nosso foco agora é executar a edificação desse complexo industrial com máxima eficiência. Este empreendimento foi planejado para, no futuro, processar o grão do associado e produzir biodiesel. O início da construção marca o começo de uma nova fase de desenvolvimento para toda a nossa região”, ressalta o presidente da Cotripal e da Soli3, Germano Döwich.
A nova indústria produzirá biodiesel, óleo degomado, farelo de soja e casca peletizada, com investimento previsto de aproximadamente R$ 1,25 bilhão e faturamento anual projetado em R$ 2,5 bilhões. Para o presidente da Cotrijal, Nei César Manica, o início das obras marca uma nova etapa na consolidação do projeto. “O início das obras representa mais um importante passo dentro do trabalho intenso que vem sendo realizado ao longo dos últimos anos para viabilizar a implantação deste grande empreendimento. É o começo da concretização de uma iniciativa robusta, que trará grandes transformações e impactos positivos para nossas cooperativas, para as comunidades em que atuamos e para todo o estado”, reforça.
A união entre as cooperativas e o propósito da nova indústria também são destacadas pelo presidente da Cotrisal, Walter Vontobel: “esse investimento não é apenas industrial, é uma resposta direta às demandas dos nossos associados por mais agregação de valor e segurança no escoamento da produção. A Soli3 nasceu da união de cooperativas que acreditam que juntas vão mais longe”.
O vice-governador Gabriel Souza ressaltou o protagonismo do estado na produção de biocombustíveis. “Nós já somos grandes produtores de grãos, mas nós precisamos olhar para o futuro e alongar as cadeias produtivas, realizando o beneficiamento dos grãos e gerando mais renda para os produtores rurais. Há uma demanda crescente por biocombustíveis no mundo. Por isso, sem dúvidas, o biocombustível é um dos caminhos para o futuro do Rio Grande do Sul”, afirmou.
A estrutura do complexo contará com 75 mil metros quadrados de área construída, em um terreno de 138 hectares, além de integração ferroviária, ampliando a eficiência logística do empreendimento. O início das operações está previsto para 2028. “A Soli3 representa um divisor de águas para o desenvolvimento econômico e social de Cruz Alta. Esta é uma das plantas mais modernas do setor no país e, sem dúvida, vai gerar uma cadeia virtuosa de crescimento para o município, criando oportunidades para as famílias e movimentando o comércio e o setor de serviços”, celebrou a prefeita do município Paula Librelotto.
O evento contou com a participação de representantes do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, da Câmara dos Deputados, da Assembleia Legislativa, da Prefeitura e da Câmara de Vereadores de Cruz Alta, além de dirigentes das cooperativas, empresas e entidades parceiras.
Criação de empregos e oportunidades
A geração de empregos é um dos destaques do empreendimento, com a criação de cerca de mil postos de trabalho durante a construção. Após a conclusão, a operação deve manter 150 empregos diretos e gerar 500 indiretos. A Soli3 também está realizando a contratação gradual de colaboradores acompanhando as fases do projeto e já conta com uma equipe formada por profissionais das áreas de engenharia, contábil/financeira, suprimentos e segurança do trabalho. Conforme o empreendimento avançar, novas áreas serão incorporadas, como qualidade e meio ambiente, além de, mais à frente, as equipes operacionais que conduzirão o dia a dia da indústria.
Outros avanços
Além do início das obras, a Soli3 já consolidou importantes investimentos na aquisição de seus equipamentos. Entre eles estão os sistemas de processo industrial, responsáveis pelo processamento de soja e pela produção de biodiesel, além da caldeira a vapor, do pátio de biomassa, dos transportadores de grãos e farelo e da subestação de energia. Esses equipamentos já foram contratados e estão em fase de fabricação. A antecipação das aquisições é estratégica, pois garante o cumprimento dos prazos de entrega, reduz riscos de custos e mantém a chegada dos equipamentos alinhada ao cronograma de implantação do complexo.
Capacidade de produção
Na primeira fase de operação, a capacidade de processamento será de três mil toneladas de soja por dia, totalizando um milhão de toneladas do grão por ano. Com isso, a produção de biocombustível deve alcançar 600 toneladas/dia, o que corresponde a 200 mil toneladas por ano.
Na segunda fase, está previsto o aumento da capacidade de processamento de soja para 7,2 mil toneladas por dia, um total de 2,6 milhões de toneladas ao ano. Nessa fase, o complexo industrial deve produzir 1,5 mil toneladas por dia de bicombustível, totalizando 500 mil toneladas de combustível renovável por ano.