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Irã pede fim da guerra aos Estados Unidos e garantias contra novo ataque

Mundo

10 de maio de 2026

Irã pede fim da guerra aos Estados Unidos e garantias contra novo ataque
Resposta iraniana se concentra em “pôr fim à guerra e garantir a segurança marítima” no Golfo e no Estreito de Ormuz.
Foto: Reprodução

O Irã enviou neste domingo (10) sua resposta à proposta dos Estados Unidos para pôr fim à guerra no Oriente Médio por meio do Paquistão, país que está mediando as negociações. A resposta ressalta a necessidade de encerrar a guerra em todas as frentes e pede garantias contra um novo ataque, segundo a agência semioficial iraniana Tasnim, citando uma fonte familiarizada com o assunto.

A proposta enfatiza ainda a necessidade de suspender, durante um período de 30 dias, as sanções do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) dos EUA sobre as vendas de petróleo iraniano e de encerrar o bloqueio naval contra o Irã, acrescentou a Tasnim.

Após cerca de 48 horas de relativa calma, drones hostis foram detectados neste domingo (10) sobre diferentes países do Golfo, aumentando a tensão na região apesar do cessar-fogo firmado há um mês. Ainda assim, o navio Al Kharaitiyat, operado pela QatarEnergy, atravessou o estreito em segurança rumo ao Paquistão, segundo dados da empresa de análise marítima Kpler. Foi a primeira embarcação do Catar transportando gás natural liquefeito a cruzar a região desde o início da guerra entre EUA, Israel e Irã, em 28 de fevereiro.

Além disso, um navio graneleiro com bandeira do Panamá e destino ao Brasil também conseguiu atravessar o estreito utilizando uma rota indicada pelas Forças Armadas iranianas, informou a agência semioficial Tasnim. Ao longo do dia, ataques com drones atingiram diferentes áreas do Golfo. Um deles acertou um cargueiro que seguia para o Catar, em episódios que ameaçam a trégua em vigor desde 8 de abril. O porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, advertiu os Estados Unidos contra qualquer ataque a embarcações iranianas no Golfo.

“Nossa moderação terminou a partir de hoje. Qualquer ataque contra nossas embarcações desencadeará uma resposta iraniana forte e decisiva contra navios e bases americanas”, escreveu no X.

A guerra no Oriente Médio começou após ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, em 28 de fevereiro, e provocou represálias iranianas em diferentes países da região, além do bloqueio parcial do Estreito de Ormuz — rota estratégica para o comércio global de petróleo e gás. O conflito já deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e ampliou a pressão sobre a economia mundial diante da alta nos preços da energia. Com viagem marcada para a China nesta semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, enfrenta pressão crescente para conter o conflito e reduzir os impactos da crise energética global.

Neste domingo (10), os Emirados Árabes Unidos afirmaram ter interceptado dois drones vindos do Irã. O Catar condenou um ataque de drone contra um cargueiro em suas águas, enquanto o Kuwait informou ter interceptado drones hostis em seu espaço aéreo. O primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, afirmou ao chanceler iraniano Abbas Araqchi que usar o Estreito de Ormuz como “ferramenta de pressão” apenas aprofundaria a crise.

Segundo o governo catariano, al-Thani defendeu em conversa telefônica que a liberdade de navegação deve ser preservada. O chanceler da Turquia também conversou com Araqchi, segundo autoridades turcas. Parlamentares iranianos disseram estar elaborando um projeto de lei para formalizar o controle iraniano sobre o estreito, incluindo restrições à passagem de embarcações de “Estados hostis”.

Fonte:  Redação O Sul