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Biodiesel pode ampliar PIB e dar novo fôlego à industrialização da soja

Agro

08 de maio de 2026

Biodiesel pode ampliar PIB e dar novo fôlego à industrialização da soja
Imagem de drone da Bianchini, empresa de biodiesel e óleo vegetal
Foto: 26/03/2025. REUTERS/Diego Vara

Embora o adiamento da implementação de novas diretrizes para biocombustíveis no Brasil preocupe a cadeia de biocombustíveis, o setor avalia que o avanço da soja no Brasil deve continuar, ainda que em ritmo mais moderado diante do aumento dos custos de produção para a próxima safra. 

Representantes do setor destacam que a ampliação da mistura obrigatória teria efeito direto sobre crescimento, renda e emprego, com forte impacto multiplicador sobre toda a cadeia agroindustrial. 

Segundo Nicole Rennó, pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), cada tonelada de soja produzida gera, em média, R$ 1.862 de PIB. Quando essa mesma tonelada passa pelo processamento industrial — incluindo esmagamento e transformação em biodiesel — o valor sobe para R$ 5.746 por tonelada. 

Na prática, isso significa que ampliar o processamento doméstico da oleaginosa pode multiplicar por mais de três vezes a geração de riqueza no país, além de ampliar o potencial de criação de empregos, especialmente no interior. 

Hoje, o Brasil tem capacidade instalada para esmagar entre 72 milhões e 73 milhões de toneladas de soja por ano, “mas a projeção para este ano é de processamento em torno de 62 milhões de toneladas. Ou seja, ainda existe margem para processar cerca de 10 milhões de toneladas adicionais”, avalia Daniel Furlan Amaral, diretor de assuntos regulatórios da Abiove (Associação Brasileira das Industrias de Óleos Vegetais)

Esse volume extra poderia gerar aproximadamente 8 milhões de toneladas de farelo e 2 milhões de toneladas de óleo. Segundo Daniel Furlan, da Abiove, somente esse óleo adicional já seria suficiente para viabilizar percentuais maiores de mistura de biodiesel, como B16 ou B17, além de ampliar exportações e atender novos mercados. 

O farelo, por sua vez, teria impacto direto na cadeia de proteína animal, ajudando a reduzir custos de ração e fortalecendo ainda mais a competitividade das exportações brasileiras de carnes. 

Na avaliação das entidades, as condições econômicas, energéticas e técnicas já permitiriam a adoção do B16. O argumento é que o biodiesel brasileiro já apresenta elevado grau de pureza e que o aumento regulatório seria pequeno, inferior a 0,5 ponto percentual em relação ao limite superior atualmente aceito pela regulamentação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. 

Além do biodiesel, o setor vê novas oportunidades de crescimento com o avanço de combustíveis renováveis, como o diesel com parcela vegetal, o SAF (combustível sustentável de aviação) e o HVO, (Hydrotreated Vegetable Oil ou Óleo Vegetal Hidrotratado), conhecido como diesel verde, reforçando a avaliação de que a industrialização da soja tende a ganhar papel cada vez mais estratégico na economia brasileira. 

Fonte: CNN