Eleições 2026: Dissidências internas são desafio para partidos
08 de maio de 2026
Nos últimos dias, quatro prefeitos do PP – partido aliado ao PL, que tem o deputado federal Luciano Zucco como pré-candidato ao Palácio Piratini – declararam publicamente apoio ao vice-governador Gabriel Souza (MDB), que também concorre ao governo do Estado. Na prática, as manifestações não têm efeito concreto, e PL e PP mantêm sua aliança. As falas também não devem impactar a pré-campanha, garante Leonardo Pascoal (PL), secretário de Educação de Porto Alegre e coordenador de pré-campanha de Zucco.
Dissidências não são novidade em partidos políticos de grande envergadura, como PP e MDB. Nas eleições de 2022, por exemplo, os emedebistas enfrentaram um racha partidário e algumas lideranças apoiaram publicamente o candidato do PL, Onyx Lorenzoni, ao Piratini.
Um dos coordenadores políticos da pré-campanha de Souza, o prefeito de Campo Bom, Giovani Feltes (MDB), garante que as rusgas foram sanadas e que não há nenhuma dissidência no MDB nesta eleição. Apesar disso, essa unidade não é sentida por todos dentro do partido.
Nos bastidores, é tido como certo que nomes como o deputado federal Alceu Moreira – com quem Souza protagonizou um racha nas últimas eleições –, não devem se engajar na candidatura do vice-governador ao Piratini. O presidente do MDB de Santa Maria, Igor Severo, protocolou junto à executiva estadual do partido pedido de expulsão de Cézar Schirmer, que estaria atuando junto ao grupo de comando da pré-campanha de Zucco. O caso está sendo discutido na executiva, diz Feltes. Ele felicitou, ainda, o apoio dos gestores do PP, avaliando o comprometimento como um reconhecimento dos feitos da atual gestão. “São muito bem-vindos.”
Pascoal elenca as eventuais dissidências como pontuais e “movidas por interesses próprios”, ainda que “absolutamente naturais” dentro do processo eleitoral em partidos com grande capilaridade, como ocorre com o PP. “Temos muita convicção de que, entre os partidos que estão conosco, a ampla maioria dos filiados e lideranças está engajada no projeto”, afirmou. Por isso, ele reforça que eventuais dissidências não prejudicam ou atrapalham a pré-campanha e o processo de planejamento.
Vieira garante que PDT ‘virou a página’
O ex-deputado Vieira da Cunha (PDT), que coordena a pré-campanha da ex-deputada Juliana Brizola (PDT) ao governo do Estado, está convicto de que eventuais discordâncias dentro do PDT são “página virada”. O partido integrou a base de Eduardo Leite (PSD) por quase toda a gestão, e deputados e lideranças resistiram à aliança com o PT. Defendiam a manutenção do apoio ao governo através da pré-candidatura de Gabriel Souza, inclusive abrindo mão da cabeça de chapa.
Fonte: Correio do Povo