Em entrevista, diretor da Nestlé destaca investimento de R$ 60 milhões e retomada da fábrica em Carazinho
08 de abril de 2026
A Nestlé do Brasil retomou oficialmente, em março deste ano, a operação da fábrica de soro de leite em Carazinho. Após cinco anos sob gestão de parceria, a empresa reassumiu o controle da unidade com um investimento de R$ 60 milhões, mirando a expansão do segmento de nutrição infantil e o aumento de 15% na produção até 2029.
A planta é estratégica para a companhia, já que o soro de leite produzido no município é matéria-prima essencial para fórmulas infantis fabricadas em Araçatuba (SP), principal unidade da Nestlé nesse segmento no país.
De acordo com o diretor da fábrica de Carazinho, Durval Silva, a retomada marca um retorno às origens da operação no município. Durval destaca que o investimento praticamente resultou em uma nova fábrica, com modernização de estruturas, automação de processos e ampliação da capacidade produtiva. A unidade passou a contar com tecnologia de ponta para controle de qualidade e eficiência operacional.
A retomada está diretamente ligada ao crescimento do mercado de nutrição infantil, considerado um dos mais promissores pela companhia. A Nestlé projeta expansão contínua do segmento nos próximos anos, tanto no Brasil quanto no mercado internacional.
Além da importância para fórmulas infantis, o soro de leite produzido em Carazinho também é utilizado em outros produtos da empresa, como bebidas lácteas, suplementos proteicos e itens alimentícios que utilizam whey protein em sua composição.
Outro ponto destacado pela direção da empresa é o foco em sustentabilidade. A unidade opera com matriz energética baseada em biomassa, além de utilizar energia proveniente de fontes hidrelétricas. O sistema inclui ainda tratamento de água e efluentes, garantindo a devolução ao meio ambiente dentro dos padrões legais, além de processos de reciclagem de resíduos industriais.
A fábrica tem capacidade para processar cerca de 300 milhões de litros de soro de leite por ano e gera aproximadamente 80 empregos diretos e indiretos, podendo ultrapassar 200 postos de trabalho quando considerada toda a cadeia envolvida na operação. Ele também ressalta que a empresa manteve parte da mão de obra que já atuava na unidade, além de realizar novas contratações, priorizando profissionais locais. A equipe conta com trabalhadores especializados e com experiência no processo produtivo.
A matéria-prima utilizada vem principalmente de queijarias da região Sul do país, sendo cerca de 60% oriunda do Rio Grande do Sul e o restante de Santa Catarina e Paraná, o que movimenta uma ampla cadeia produtiva ligada ao setor lácteo. Segundo Durval Silva, a decisão de retomar a operação vai além do retorno financeiro. O objetivo é garantir o abastecimento de um insumo estratégico para a companhia, assegurando qualidade e regularidade na produção.
Para os próximos anos, a Nestlé projeta novos investimentos na unidade de Carazinho, com foco na modernização contínua e no avanço de práticas sustentáveis, como redução no consumo de água e energia. A operação no município está inserida nos pilares globais de crescimento da companhia, que incluem nutrição, cafés, confeitaria e alimentos para animais de estimação, reforçando o papel estratégico da unidade dentro da atuação da Nestlé no Brasil.