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Mortalidade por câncer de pulmão entre mulheres cresce 118% em 20 anos no Brasil

Brasil, Saúde

26 de outubro de 2026

Mortalidade por câncer de pulmão entre mulheres cresce 118% em 20 anos no Brasil

A mortalidade feminina por cânceres do sistema respiratório, que incluem tumores no pulmão, na traqueia e nos brônquios, aumentou 118% no Brasil entre 2004 e 2023. Os dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) e do Ministério da Saúde revelam um crescimento expressivo ao longo de duas décadas, superior ao registrado entre os homens, cuja mortalidade bruta aumentou 23% no mesmo período.

Apesar da redução no número de fumantes no País nas últimas décadas, os efeitos do consumo de tabaco no passado continuam influenciando os indicadores de mortalidade. O hábito de fumar, especialmente quando mantido por muitos anos, está associado a danos celulares que podem contribuir para o desenvolvimento do câncer mesmo após a interrupção do consumo.

Historicamente, os homens foram mais expostos ao tabagismo, mas a adesão das mulheres ao cigarro em décadas posteriores ajuda a explicar a mudança no perfil da doença. Em 2003, as mulheres representavam 32% das mortes por câncer desse tipo no Brasil. Vinte anos depois, em 2023, a participação feminina chegou a 46%, demonstrando uma redução da diferença entre os gêneros.

O risco de desenvolver câncer de pulmão está relacionado a diversos fatores, entre eles a quantidade de cigarros consumidos e o tempo de exposição ao tabaco. Embora abandonar o cigarro seja uma medida importante para a saúde em qualquer idade, os riscos associados ao histórico de tabagismo não desaparecem imediatamente. Por isso, pessoas que fumaram durante muitos anos precisam manter o acompanhamento médico e conversar com profissionais de saúde sobre os cuidados preventivos adequados.

A trajetória da dentista Maria Angelina Zanzotti Kuroda, de 72 anos, exemplifica essa situação. Ela começou a fumar na década de 1970 e manteve o hábito por 38 anos, até abandonar o cigarro em 2010, aos 55 anos. Mesmo após 15 anos sem fumar, recebeu o diagnóstico de câncer de pulmão em 2025.

A descoberta aconteceu depois que ela procurou atendimento médico por apresentar sintomas respiratórios que imaginava serem provocados por uma gripe forte. Uma tomografia identificou uma lesão suspeita, permitindo que a doença fosse detectada em estágio inicial. Antes do exame, os sinais percebidos eram principalmente cansaço leve e desconforto respiratório, sem manifestações que despertassem grande preocupação.

O caso evidencia a importância da investigação médica mesmo diante de sintomas aparentemente comuns. O câncer de pulmão pode evoluir sem apresentar sinais claros nas fases iniciais, o que dificulta sua identificação em tempo oportuno e reduz as chances de tratamento antes do avanço da doença.

Entre os sintomas que podem surgir estão tosse persistente, falta de ar, dor no peito, cansaço frequente, presença de sangue no escarro e perda de peso sem explicação aparente. A ocorrência desses sinais não significa necessariamente a presença de câncer, mas exige avaliação profissional, especialmente quando persistem ou se agravam.

No Sistema Único de Saúde (SUS), aproximadamente 90% dos pacientes com câncer de pulmão recebem o diagnóstico nos estágios 3 ou 4, conforme levantamento realizado a partir de 14.145 casos analisados em bases oficiais do Ministério da Saúde. Esse cenário mostra a dimensão do desafio para identificar a doença precocemente e ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento.

O câncer de pulmão permanece entre os tumores que mais provocam mortes no Brasil. Cerca de 32 mil brasileiros morreram em decorrência da doença no ano passado, segundo os dados apresentados no levantamento. A combinação entre diagnóstico tardio e a possibilidade de evolução agressiva do tumor contribui para a elevada mortalidade.

Diante desse cenário, a redução do tabagismo, o abandono do cigarro e o acesso aos serviços de saúde são medidas fundamentais para enfrentar a doença. Também é importante buscar orientação médica diante de sintomas persistentes e avaliar, com profissionais de saúde, a necessidade de acompanhamento específico para pessoas com histórico prolongado de exposição ao tabaco.

O aumento da mortalidade entre as mulheres reforça a necessidade de ampliar a conscientização sobre os riscos do câncer de pulmão. A informação, a prevenção e a identificação dos sinais de alerta são fundamentais para favorecer o diagnóstico oportuno e melhorar as possibilidades de tratamento.

Foto: Divulgação