Crise no mercado de chips provoca queda de 20% nas vendas globais de smartphones
26 de outubro de 2026
O mercado mundial de smartphones enfrenta uma forte retração, com uma redução de 20% nas remessas de aparelhos em comparação com o mesmo período do ano anterior. O volume registrado no terceiro trimestre foi o menor para esse intervalo desde 2012, em meio à alta dos preços dos chips de memória e às dificuldades de abastecimento de componentes.
O cenário tem pressionado fabricantes de celulares em diferentes mercados, elevando os custos de produção e dificultando a manutenção de preços competitivos. Diante desse quadro, as empresas têm adotado estratégias para proteger suas margens de lucro, incluindo reajustes nos valores dos aparelhos, redução da quantidade de unidades distribuídas e maior atenção aos modelos com rentabilidade mais elevada.
Um dos principais fatores por trás da crise é o aumento da demanda por chips de memória utilizados em estruturas de inteligência artificial. A expansão dos investimentos em centros de processamento de dados e outras infraestruturas voltadas à IA intensificou a disputa por componentes, afetando a disponibilidade e encarecendo os insumos necessários à fabricação de smartphones.
Com os aparelhos novos mais caros, os consumidores também estão mudando seus hábitos de compra. Parte do público tem prolongado o tempo de utilização dos celulares, enquanto outros consumidores passaram a considerar com mais frequência a aquisição de dispositivos recondicionados. A procura por modelos de maior valor agregado também influencia as estratégias das fabricantes.
Mesmo diante da retração do setor, a Samsung permaneceu na liderança do mercado mundial, com 23% de participação. A empresa registrou uma queda de 3% nas remessas anuais durante o trimestre, resultado favorecido pela estabilidade no fornecimento de componentes para seus aparelhos intermediários e pelo interesse em dispositivos de sua linha dobrável Galaxy Z Fold8.
A Apple, por sua vez, alcançou 22% de participação de mercado, ultrapassando pela primeira vez a marca de 20% no terceiro trimestre. O desempenho ocorreu apesar da redução nas remessas em relação ao ano anterior. A disponibilidade dos aparelhos também foi afetada pela ausência de um modelo básico do iPhone 18, que limitou a oferta nos canais de distribuição durante o mês de lançamento quando comparada à situação da linha iPhone 17 no mesmo período do ano anterior.
Entre as demais fabricantes, Oppo e Vivo apresentaram recuos superiores a 20% nas remessas globais. A Xiaomi enfrentou uma retração ainda mais acentuada, acima de 30%, e viu sua participação de mercado cair para 10%.
A estratégia da Xiaomi incluiu a redução da exposição a aparelhos de menor preço e a determinados mercados internacionais, com o objetivo de preservar a rentabilidade em meio ao encarecimento dos componentes. A decisão reflete uma mudança de prioridades em um setor no qual vender mais unidades nem sempre representa a melhor alternativa diante da pressão sobre os custos.
A crise dos chips evidencia os desafios enfrentados pela indústria de smartphones, que precisa equilibrar preços, disponibilidade de produtos e lucratividade. Enquanto a demanda por infraestrutura de inteligência artificial continua pressionando o mercado de componentes, fabricantes e consumidores devem permanecer atentos aos efeitos sobre a oferta e os preços dos celulares.
A evolução do abastecimento de chips e o comportamento dos compradores serão fatores importantes para determinar a recuperação do setor nos próximos trimestres. Até que os custos se estabilizem, a tendência é que as empresas mantenham estratégias mais cautelosas, priorizando eficiência e rentabilidade em vez de ampliar o volume de aparelhos comercializados.
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