França avalia toque de recolher após onda de protestos
19 de outubro de 2026
O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, anunciou nesta segunda-feira (19) que solicitou aos prefeitos de municípios afetados por manifestações a adoção de toques de recolher parciais. A medida poderá entrar em vigor ainda nesta noite e tem como objetivo conter os episódios de violência registrados durante os protestos que vêm se espalhando pelo país.
As manifestações começaram com mobilizações de estudantes, mas ganharam força com a adesão de sindicatos e de grupos insatisfeitos com o aumento do custo de vida e dos preços dos combustíveis. Nos últimos dias, o cenário se agravou, com registros de saques a estabelecimentos comerciais, incêndios em prédios e confrontos nas ruas. Milhares de pessoas já foram detidas durante os atos.
O movimento teve início em setembro, em escolas de ensino médio localizadas em bairros periféricos ao norte de Paris. Inicialmente, os estudantes protestavam contra a falta de professores e as condições precárias das instituições de ensino. Com o passar do tempo, as mobilizações ampliaram suas reivindicações e passaram a refletir o descontentamento de diferentes setores da população com a desigualdade social, a insuficiência de investimentos públicos e a deterioração dos serviços oferecidos pelo Estado.
A crise ocorre em um momento delicado para o presidente Emmanuel Macron, que se aproxima da etapa final de seu mandato em meio à polarização do eleitorado e à fragmentação do cenário político francês. A ampliação dos protestos representa mais um desafio para o governo, que busca restabelecer a ordem e responder às reivindicações dos manifestantes.
Diante da escalada da violência, o governo realizou uma reunião de emergência nesta segunda-feira para discutir medidas de segurança e estratégias para conter os distúrbios. Em Paris, o Museu do Louvre permaneceu fechado pela manhã, após manifestantes bloquearem os acessos ao local em apoio às mobilizações estudantis e em protesto contra a atuação policial.
A possibilidade de restrições à circulação durante a noite faz parte das medidas avaliadas pelas autoridades para reduzir os confrontos e evitar novos atos de vandalismo. A evolução dos protestos e a resposta do governo deverão influenciar os próximos passos das autoridades francesas diante de uma crise que ultrapassou as reivindicações iniciais dos estudantes e passou a reunir diferentes insatisfações sociais.
Foto: Divulgação