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Novo medicamento para insônia tem previsão de chegada ao Brasil no segundo semestre

Saúde

14 de outubro de 2026

Novo medicamento para insônia tem previsão de chegada ao Brasil no segundo semestre

Um novo medicamento destinado ao tratamento da insônia deve chegar ao mercado brasileiro ainda no segundo semestre de 2026. O Dayvigo, nome comercial do lemborexante, será comercializado no País por meio de uma parceria entre as farmacêuticas Eurofarma e Eisai. A estimativa inicial é que o produto tenha preço médio de aproximadamente R$ 200.

A fabricação ficará a cargo da Eisai, no Reino Unido, enquanto a Eurofarma será responsável pelas atividades comerciais no Brasil, incluindo divulgação, distribuição e comercialização. A Eisai também continuará encarregada do registro do medicamento e das decisões estratégicas relacionadas à marca em âmbito global.

Indicado para adultos que apresentam dificuldade para adormecer ou permanecer dormindo, o lemborexante pertence a uma classe de medicamentos diferente daquela à qual pertence o zolpidem. Sua aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ocorreu em abril de 2025. O medicamento também possui autorização para uso em mais de 28 países, entre eles Estados Unidos, Japão, Canadá e Austrália.

O princípio ativo é o primeiro representante da classe dos antagonistas duplos dos receptores de orexina (DORA) aprovado no Brasil. Seu mecanismo de ação consiste em bloquear os receptores de orexina, substância produzida pelo cérebro que desempenha papel importante na manutenção do estado de vigília. Ao reduzir esse estímulo, o medicamento favorece a transição entre o estado de alerta e o sono.

Resultados de estudos clínicos apresentados pela fabricante apontam que o tratamento pode diminuir o tempo necessário para adormecer e contribuir para a manutenção do sono durante a noite. De acordo com os dados divulgados pela empresa, os benefícios foram observados ao longo de 12 meses de acompanhamento, sem sinais identificados de insônia rebote ou sintomas de abstinência após a interrupção do tratamento nos estudos realizados.

A principal diferença entre o lemborexante e o zolpidem está na forma como cada substância atua no sistema nervoso central. Enquanto o primeiro interfere na ação da orexina, reduzindo os mecanismos associados à vigília, o segundo atua sobre os receptores relacionados ao GABA, neurotransmissor que exerce efeito inibitório sobre a atividade cerebral e contribui para a indução do sono.

Embora o mecanismo de ação dos medicamentos da classe DORA possa apresentar menor potencial de dependência, tolerância e abstinência em comparação com determinados tratamentos tradicionais, isso não significa que estejam livres de riscos ou efeitos adversos.

Entre as possíveis reações associadas ao lemborexante estão alterações relacionadas ao sono REM, fase caracterizada pela maior ocorrência de sonhos vívidos. Algumas pessoas podem apresentar sonhos intensos e episódios de paralisia do sono, condição temporária em que há dificuldade para movimentar o corpo durante a transição entre o sono e a vigília.

A utilização do medicamento deve ocorrer sob orientação médica, com avaliação individualizada dos sintomas, do histórico de saúde e de possíveis interações com outras substâncias. A escolha do tratamento mais adequado depende das características de cada paciente e da investigação das causas da insônia.

Foto: Divulgação