Natureza: essência e essencial
14 de outubro de 2026
Primeiramente, muito prazer e obrigada pelo seu tempo, se você está lendo texto. Eu chamo Nicole, tenho 33 anos e esta é a primeira coluna que escrevo na minha vida. Trabalho com finanças, mas é na natureza que sempre encontro e reencontro minha essência. Também acredito que é nela que estão as respostas, as ferramentas e a sabedoria para diversos aspectos da nossa vida. Por isso, é sobre esse tema que você vai me ver escrevendo mais frequentemente (se não sempre) por aqui.
É super clichê mencionar que vivemos em um mundo cada vez mais acelerado, no qual as pessoas cada vez mais apresentam problemas de saúde de ordens diversas, mas, em especial, de saúde mental: ansiedade, depressão, transtornos de humor, síndrome de burnout, etc. Por um lado, as vezes é difícil saber se, de fato, a sociedade está ficando mais doente ou se o aumento dos números reflete, na verdade, apenas o fato de estarmos diagnosticando mais e “etiquetando” e documentando os problemas que já eram existentes desde muitas décadas atrás. Por outro lado, independentemente disto, existe um grande movimento perceptível na sociedade em busca do bem-estar e de uma vida mais equilibrada.
Recentemente li um livro chamado “The Nature Fix”- (A Natureza Cura – na tradução oficial ao português) escrito por Florence Williams. O livro traz uma grande gama de referências científicas para afirmar aquilo que nós, empiricamente, já sabemos: a natureza nos faz bem. Por isso, como primeiro tema desta coluna periódica, vou compartilhar um dos pontos que mais chamaram a minha atenção e que, de certa maneira, justificam o meu foco e fascinação por este assunto, embora eu não seja bióloga, nem médica e nem nada neste sentido.
Existe banho de sol, banho de chuva, banho de lua e agora também “banho de floresta”. E foi este o estudo que mais chamou minha atenção no livro mencionado no parágrafo anterior. A pesquisa tratou de analisar uma série de estudos científicos prévios e comparar o nível de cortisol, também conhecido como hormônio do estresse, em pessoas que faziam uma caminhada na floresta e pessoas que faziam uma caminhada em ambiente urbano. E, para a surpresa de zero pessoas, os indivíduos que fizeram a caminhada na floresta apresentaram níveis menores de estresse. Nesta mesma linha, existe uma hipótese que está sendo estudada e que também foi mencionada no livro, que afirma que os fitoncidas – compostos voláteis, tipo gases, produzidos pelas plantas – tem um efeito na imunidade e nos níveis de estresse dos humanos. No entanto, até o momento, nenhum estudo foi capaz de isolar essa variável para poder chegar a esta conclusão de forma categórica.
De qualquer forma, tenho certeza de que todos nós sentimos algum tipo de benefício ao estarmos na natureza, independentemente de estudos científicos. Uma coisa me parece certa: o corpo do ser humano não foi feito para estar o 15h por dia olhando para telas de celular e computador enquanto fica sentado ou deitado. Ao mesmo tempo, sabemos que o mundo modernomuitas vezes nos exige isso. Por isso, talvez a melhor forma de tentar fugir das estatísticas de problemas de saúde mental seja evitar escolher telas quando elas não são estritamente necessárias e aproveitar este precioso tempo para estar em contato com aquilo que sempre fez (ou deveria fazer) parte de nós: a natureza.
Ao meu ver, os efeitos da natureza não chegam somente na esfera fisiológica do corpo do ser humano, mas também podemos aprender muito observando o comportamento dos animais. Tanto dos selvagens quanto dos domésticos. A sabedoria da natureza é infinita e não existe possibilidade de tédio pois existe sempre um nível de inteligência e uma engenharia divina por trás de todas as grandes coisas e também dentro dos menores detalhes em tudo o que dela faz parte.
Por Nicole Stapelbroek

Trabalha no mundo de finanças mas, sempre que possível, busca por aventuras no mundo selvagem.
Já nadou com orcas e baleias no Ártico, fez trilha para estar a poucos metros de gorilas na Ruanda e fotografou os “big five” (Leão, Elefante, Leopardo, Búfalo e Rinoceronte) em 3 países do continente Africano.
Apaixonada por cães desde sempre, buscou conhecimento em diversas linhas de adestramento, dog agility (modalidade esportiva) e estuda psicologia e comportamento canino continuamente.
Acompanhe a colunista @nicole_stapelbroek