FMI projeta desaceleração da economia brasileira em 2027
14 de outubro de 2026
O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que a economia brasileira terá um ritmo de crescimento menor em 2027, após um desempenho um pouco mais favorável no ano anterior. As projeções indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) do país deve avançar 2,2% em 2026 e 1,9% em 2027.
Os números fazem parte do relatório Perspectiva Econômica Mundial, divulgado nesta terça-feira (13), que reúne as estimativas da instituição para o desempenho econômico de diferentes países e regiões. Em comparação com as previsões apresentadas em julho, o FMI reduziu em 0,2 ponto percentual a expectativa de crescimento para 2026 e em 0,3 ponto percentual a projeção para 2027.
Entre os fatores que podem limitar a expansão da economia brasileira estão os juros em patamares elevados, a redução dos estímulos fiscais e as incertezas no cenário internacional. A política monetária restritiva tem como objetivo controlar a inflação, mas também tende a dificultar o acesso ao crédito e a conter o consumo e os investimentos.
O Banco Central vem promovendo reduções na taxa básica de juros, a Selic, que passou de 15% para 13,75% ao ano. Mesmo com os cortes, a política monetária continua exercendo influência sobre o ritmo da atividade econômica. A autoridade monetária avalia que a condução dos juros precisa levar em conta a evolução dos preços e o risco de uma nova pressão inflacionária.
Os indicadores econômicos recentes também apontam para uma perda de velocidade do crescimento. Depois de registrar expansão de 3,4% em 2024, a economia brasileira avançou 2,3% em 2025. Para os próximos anos, a projeção do FMI sinaliza uma continuidade desse movimento de desaceleração.
Na comparação regional, o Brasil deve apresentar um crescimento ligeiramente inferior à média estimada para a América Latina. Para o conjunto da região, a instituição projeta expansão de 2,3% em 2026 e de 2,5% em 2027, indicando uma trajetória de recuperação mais consistente no segundo ano do período.
As perspectivas para o mercado de trabalho e para os preços também apresentam tendências diferentes. O FMI espera que a inflação brasileira recue gradualmente, passando de 5% em 2025 para 4,4% em 2026 e 4,1% em 2027. Apesar da desaceleração prevista dos preços, a taxa de desemprego poderá aumentar, saindo de 6% em 2025 para 6,2% em 2026 e chegando a 6,8% no ano seguinte.
No cenário internacional, as estimativas apontam para um crescimento econômico superior ao esperado para o Brasil. A economia mundial deve avançar 3,4% em 2026 e acelerar para 3,6% em 2027, mesmo diante de incertezas políticas, comerciais e financeiras.
A inflação global permanece entre os principais desafios. A previsão é de que a taxa média mundial alcance 4,7% em 2026 e diminua para 4,1% em 2027. Ao mesmo tempo, os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, as disputas comerciais entre países e as dificuldades fiscais enfrentadas por diferentes governos podem afetar as perspectivas de crescimento.
Outro fator relevante é o avanço da inteligência artificial. As expectativas em torno dessa tecnologia podem influenciar as decisões de investimento e o comportamento dos mercados. Uma expansão mais forte dos aportes em inteligência artificial, acompanhada de ganhos de produtividade, poderia contribuir para um crescimento econômico global mais robusto.
Uma redução duradoura das tensões geopolíticas e comerciais também ajudaria a melhorar o ambiente econômico internacional. Por outro lado, o agravamento desses conflitos ou uma revisão negativa das expectativas relacionadas à tecnologia podem aumentar as incertezas e comprometer o desempenho da economia mundial nos próximos anos.
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