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ANP libera 14 milhões de litros de diesel para amenizar desabastecimento no campo do RS

Agro

29 de setembro de 2026

ANP libera 14 milhões de litros de diesel para amenizar desabastecimento no campo do RS

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) adotou medidas para tentar reduzir as dificuldades de distribuição de diesel enfrentadas principalmente pelo setor rural do Rio Grande do Sul. Embora não haja registro de desabastecimento generalizado nos postos, produtores rurais de diferentes regiões relatam dificuldades para encontrar o diesel S500, utilizado nas atividades do campo.

Uma das medidas anunciadas envolve a aquisição, junto à Petrobras, de 14 milhões de litros de diesel S500 destinados ao Rio Grande do Sul. A informação foi repassada no último domingo pelo superintendente de Distribuição e Logística da ANP, Diogo Valério, ao presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Velho Lopes. A iniciativa ocorre em um período de plantio da safra de verão, quando a demanda pelo combustível aumenta.

A Farsul havia encaminhado, na sexta-feira, dois novos ofícios à ANP solicitando providências consideradas urgentes diante dos problemas registrados em diversas localidades. Segundo a entidade, municípios como Giruá enfrentam dificuldades há mais de duas semanas, enquanto cidades como Cruz Alta, Santa Maria, Tupanciretã, São Vicente do Sul, Candelária e Pelotas registram estoques baixos ou zerados, além de entregas incompletas e sem previsão definida.

A situação tende a ser mais complicada nas regiões mais distantes da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), localizada na Região Metropolitana de Porto Alegre. A logística de distribuição tem sido apontada como um dos principais fatores para as dificuldades enfrentadas pelos consumidores do interior.

Em Caiçara, município localizado próximo à divisa com Santa Catarina, a prefeitura informou no dia 21 que, diante da escassez de combustíveis, manteria prioritariamente os serviços de transporte escolar e da Secretaria Municipal da Saúde. As atividades da Secretaria de Obras chegaram a ser suspensas.

O prefeito Zílio Roggia explicou que o município precisou realizar uma nova licitação para fornecimento de diesel depois de enfrentar problemas de distribuição em março. O contrato foi firmado com uma Transportadora Revendedora Retalhista (TRR) da região. No entanto, segundo o prefeito, a empresa também passou a enfrentar dificuldades para obter combustível e elevou os preços.

Roggia afirmou que Caiçara solicitou 10 mil litros de diesel para esta semana, mas recebeu a informação de que, caso haja disponibilidade, apenas metade do volume poderá ser entregue. Por causa disso, os serviços municipais foram reduzidos, embora não tenham sido totalmente interrompidos. A expectativa da administração é de que o fornecimento seja normalizado.

A operação emergencial anunciada pela ANP prevê ainda atenção especial ao atendimento dos produtores rurais. A agência também deve acompanhar se os pedidos feitos pelas distribuidoras estão efetivamente sendo atendidos pela Petrobras, buscando identificar possíveis problemas ao longo da cadeia de fornecimento.

Paralelamente às medidas para ampliar a oferta, a ANP informou na última sexta-feira que as multas aplicadas a distribuidoras por aumentos considerados abusivos nos preços durante as medidas provisórias de subvenção ao diesel já ultrapassaram R$ 700 milhões.

O presidente do Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes no Estado do Rio Grande do Sul (Sulpetro), Fabrício Severo Braz, afirmou que mantém a avaliação feita cerca de dez dias antes, quando defendeu cautela e a necessidade de acompanhar as decisões internacionais relacionadas ao abastecimento.

Segundo Braz, os efeitos da falta de combustível ainda estão concentrados principalmente no setor agrícola, mas existe preocupação de que o problema possa chegar aos postos. Ele explica que o abastecimento das propriedades rurais é feito pelos TRRs, que possuem uma dinâmica de fornecimento diferente das distribuidoras contratadas pela Petrobras.

Outro fator apontado pelo dirigente é a diferença entre os preços praticados no mercado internacional e no Brasil. Conforme Braz, o diesel comercializado no exterior está cerca de R$ 3 mais caro, o que dificulta a importação por empresas privadas e reduz as alternativas de oferta no mercado nacional.

Os dados semanais da ANP mostram que o preço médio do litro do diesel S500 no Rio Grande do Sul estava em R$ 6,26 no início de setembro, enquanto a média brasileira era de R$ 6,47. Ao longo do mês, porém, os valores subiram e a média estadual chegou a R$ 6,86, praticamente no mesmo patamar da média nacional, de R$ 6,85.

A elevação acumulada em setembro alcançou 9,58% no Rio Grande do Sul, diante de uma alta de 5,87% no país. Em Porto Alegre, onde a proximidade com a Refap favorece a distribuição, o litro do S500 começou o mês custando, em média, R$ 6,01. No encerramento do período, o valor médio chegou a R$ 6,56, ainda abaixo das médias registradas no estado e no país.

Foto : Alina Souza