Mulher é resgatada viva após 35 horas sob escombros de terremoto na Colômbia
12 de agosto de 2026
Um resgate dramático trouxe alívio em meio à tragédia que atinge o Eixo Cafeteiro da Colômbia. Sob aplausos e gritos de comemoração, Daniela Largo, de 32 anos, foi retirada com vida na noite de terça-feira após passar mais de 35 horas sob as ruínas de um hotel que desabou em Pereira. O salvamento ocorreu após um vizinho ouvir seus pedidos de socorro e alertar as equipes de emergência, renovando as esperanças das brigadas que buscam sobreviventes do terremoto mais forte registrado no país neste século.
O sismo de magnitude 7,4, ocorrido na manhã de segunda-feira com epicentro em San José del Palmar (Chocó), destruiu quadras inteiras e deixou rastro de devastação. As autoridades revisaram o balanço oficial de vítimas para 216 mortos, após correções nos dados divulgados pelo governo do departamento de Valle del Cauca e pela prefeitura de Cali.
Cidades no escuro e hospitais na calçada
Cali e Pereira figuram como os municípios mais atingidos. Em Pereira, segundo ponto com maior número de vítimas (72 mortos), a maioria dos 480 mil moradores enfrenta desabastecimento de energia elétrica, alimentos e água engarrafada. Com receio de novos tremores secundários ou por terem perdido suas casas, milhares de famílias dormem ao relento e em abrigos improvisados montados em parques públicos.
A infraestrutura local sofreu severos danos: hospitais afetados precisaram improvisar atendimentos em calçadas, aulas foram suspensas e seis aeroportos registraram impactos — dos quais dois permanecem fechados para voos comerciais.
Mobilização comunitária e estado de emergência
A operação de resgate reúne bombeiros, voluntários, cães farejadores e máquinas pesadas. Em meio ao cenário de destruição, moradores formam correntes humanas para remover escombros com as mãos, pás e picaretas. A escuta atenta a pequenos sinais de vida, como assobios sob as ruínas, já permitiu o resgate de outros sobreviventes, incluindo um homem e seu neto recém-nascido.
O presidente Abelardo de la Espriella, que assumiu o cargo em 7 de agosto, decretou estado de emergência nacional, visitou as áreas atingidas e prometeu auxílio financeiro e subsídios de moradia aos desalojados. O desastre evoca a tragédia do terremoto de 1999 na mesma região, que deixou cerca de 1,2 mil mortos. A comunidade internacional começou a enviar apoio: o governo dos Estados Unidos anunciou a liberação de US$ 15,5 milhões, enquanto a União Europeia destinou 2 milhões de euros para as ações de emergência.
Fonte: Correio do Povo