Incêndios florestais avançam pela Europa, deixam mortos e forçam milhares a deixar suas casas
30 de julho de 2026
A Europa enfrenta mais um capítulo crítico da temporada de incêndios florestais. França, Espanha e Grécia registram grandes focos de fogo impulsionados por temperaturas elevadas, vegetação extremamente seca e ventos intensos, cenário que já provocou mortes, evacuações em massa e prejuízos em diferentes regiões do continente.
Na França, dois suspeitos foram presos por supostamente provocarem incêndios criminosos na região de Bordeaux, onde um dos maiores focos do país já destruiu cerca de 42 mil hectares de vegetação. Aproximadamente 220 mil moradores e turistas precisaram deixar suas casas e hospedagens, embora cerca de 60 mil pessoas já tenham recebido autorização para retornar.
As autoridades francesas informaram que o avanço das chamas foi contido durante a madrugada, mas alertam que o risco permanece elevado. A previsão de aumento da umidade e possibilidade de tempestades pode favorecer o combate ao fogo, porém o alerta para calor extremo continua em vigor na região de Gironde.
Segundo o serviço meteorológico francês, o maior risco de novos incêndios agora se concentra no sudeste do país e na faixa do Mediterrâneo. Em 2026, a França já registra a maior área queimada desde 2006.
Grécia registra mortes de bombeiros
Na Grécia, a situação também é dramática. Três bombeiros morreram durante o combate às chamas. Dois deles ficaram presos entre frentes de incêndio na ilha de Creta, enquanto um terceiro perdeu a vida em outro foco na região do Peloponeso.
Os incêndios obrigaram centenas de moradores e turistas a abandonarem áreas próximas a destinos turísticos de Creta, tanto por terra quanto por embarcações.
“Os ventos são inacreditáveis. Em alguns momentos, era impossível até permanecer em pé. As chamas eram enormes. Foi realmente assustador”, relatou à agência Reuters a moradora Chrissa Gioukaki, que buscou abrigo em um ginásio junto com outros moradores e visitantes.
As fortes rajadas de vento também impediram o uso de aeronaves no combate às chamas, dificultando ainda mais o trabalho das equipes de emergência.
Espanha vive situação “extrema”
Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez classificou a situação como “extrema”. Pelo menos dez grandes incêndios permanecem ativos em diferentes regiões do país.
Novos focos surgiram nas províncias de Zamora e León, enquanto o incêndio na província de Castellón continua avançando. Mais de 1.300 pessoas precisaram deixar suas casas nas áreas atingidas.
Somente em Castellón, o incêndio já devastou mais de 9,3 mil hectares, com um perímetro de aproximadamente 82 quilômetros, que ainda não foi totalmente controlado. Cerca de 400 bombeiros trabalham durante o dia e a noite para tentar estabilizar as chamas antes da chegada de uma nova onda de calor.
Europa enfrenta seu verão mais crítico
Os incêndios ocorrem em meio a um verão marcado por sucessivas ondas de calor em toda a Europa. De acordo com o monitor climático da Reuters, o continente registra temperaturas cerca de 3,6°C acima da média histórica observada entre 1961 e 1990, consolidando a Europa como o continente que mais aquece no planeta.
Os países da União Europeia já registram uma temporada de incêndios acima da média e, em vários indicadores, o número de áreas queimadas supera os índices observados em 2025, que já havia sido considerado um ano recorde.
Especialistas alertam que o calor intenso, aliado à baixa umidade e aos ventos fortes, cria condições ideais para a rápida propagação do fogo, tornando cada vez mais difícil o controle dos incêndios e aumentando os riscos para moradores, turistas e equipes de resgate.