Falta de interessados em leilão expõe falhas do governo no modelo de concessão das rodovias, afirma Zucco
04 de junho de 2026
O pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul, deputado federal Luciano Zucco (PL), afirmou que a falta de empresas interessadas no leilão do Bloco 2 das concessões rodoviárias do Estado é resultado da falta de planejamento, diálogo e da condução equivocada adotada pelo governo gaúcho. Para o parlamentar, o cancelamento do certame reforça as críticas que vinham sendo feitas por lideranças regionais, produtores, trabalhadores e usuários das rodovias atingidas pelo projeto.
Nesta quarta-feira (3), o governo do Estado confirmou o cancelamento do leilão após nenhuma empresa apresentar proposta dentro do prazo previsto. O projeto abrangia 414 quilômetros de rodovias nos vales do Taquari e do Caí, Serra Gaúcha e Região Norte, prevendo a concessão ao longo de 30 anos e aporte de recurso público de R$ 1,5 bilhão por meio do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs).
Zucco reiterou que não é contrário às concessões e reconhece a importância das parcerias com a iniciativa privada para ampliar investimentos em infraestrutura. No entanto, avalia que o modelo apresentado pelo governo não atendia aos interesses da população e criava uma estrutura de cobrança excessivamente onerosa para quem depende das estradas no dia a dia.
“O modelo de pedágios apresentado pelo governo era ruim para os gaúchos. Isso fica mais claro a cada dia. O cancelamento do leilão por falta de interessados é uma prova da desorganização e da falta de diálogo e planejamento do atual governo. É uma vitória para a população”, afirmou.
Segundo o parlamentar, a proposta previa tarifas elevadas e acabaria penalizando moradores, trabalhadores, transportadores e produtores das regiões atendidas pelas rodovias. “Esse modelo previa pedágio caro, mal planejado e que iria pesar no bolso das pessoas. Iria prejudicar quem mora nas cidades envolvidas, quem trabalha, quem produz e quem precisa utilizar essas estradas todos os dias”, destacou.
Zucco também criticou a condução política do tema pelo governo estadual e lembrou que a atual gestão manteve a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) durante seus dois mandatos, mesmo com a promessa de extinguir a estatal. “Com todo respeito, o governo atual não tem mais força política para conduzir esse assunto. Foram oito anos mantendo a EGR. Agora, perto da eleição, dizem que querem acabar com ela. Se essa era a solução, por que não fizeram.”
Ao defender a reformulação do projeto, Zucco afirmou que o Rio Grande do Sul precisa de um modelo capaz de atrair investimentos sem sacrificar a competitividade do Estado e a renda da população. “Enquanto São Paulo avança, o Paraná avança e Santa Catarina avança, o Rio Grande do Sul continua ficando para trás. Chega de insistir no que não está dando certo. O Rio Grande pode e merece mais”, concluiu.
Proposta
O pré-candidato tem defendido para o Rio Grande do Sul um modelo de concessão inspirado na experiência do Paraná, que adota um sistema híbrido e integrado, reunindo em um mesmo lote trechos de rodovias federais e estaduais, de maior e menor fluxo. Esse formato pode ampliar a atratividade dos projetos e contribuir para a redução dos custos para os usuários.