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Fenasoja Soy Summit coloca Santa Rosa na pauta da transição energética

Agro

28 de abril de 2026

Fenasoja Soy Summit coloca Santa Rosa na pauta da transição energética
Fenasoja Soy Summit — Carbono Zero reúne lideranças do agronegócio, da ciência e da energia para discutir o futuro da produção sustentável e o papel estratégico do Brasil na transição energética global.
Foto: Divulgação

No dia 30 de abril, Santa Rosa se transforma em um dos principais pontos de convergência do agronegócio brasileiro com a agenda global de energia e clima. O Fenasoja Soy Summit — Carbono Zero, realizado no Centro Cívico Cultural, antecipa discussões que já deixaram de ser tendência para se tornarem exigência concreta de mercado: produzir com menor emissão, medir carbono e transformar eficiência ambiental em valor econômico.

O encontro reúne lideranças do agro, da ciência e da indústria para discutir, em cinco eixos — visão internacional, clima e gestão, ambiente de negócios, ciência e produção e mercados —, o reposicionamento da soja brasileira em um cenário de pressão regulatória e novas oportunidades comerciais. A pauta central não é mais apenas produtividade, mas competitividade em um mercado que exige rastreabilidade e compromisso ambiental.

“O Brasil chega preparado para essa nova fase. Temos tecnologia tropical, escala e capacidade de produzir com menor intensidade de carbono em comparação a outros países”, afirma Marcos Eduardo Servat, presidente da Fenasoja 2026. “A feira representa o grão que transformou o Rio Grande do Sul e o Brasil — símbolo de desenvolvimento e prosperidade.”

O contexto reforça essa leitura. O Brasil lidera a produção global de soja, com safra superior a 150 milhões de toneladas e exportações que ultrapassam 100 milhões de toneladas por ciclo. Ao mesmo tempo, cresce a pressão internacional por cadeias produtivas mais limpas, impulsionada por mecanismos como o ajuste de carbono na fronteira europeia e exigências privadas de grandes compradores globais.

Nesse cenário, a soja amplia seu papel. De commodity alimentar, passa a ser também vetor energético. O biodiesel derivado do grão responde por parcela relevante da matriz renovável brasileira, enquanto novas rotas, como o SAF (combustível sustentável de aviação) e o biogás gerado a partir de resíduos agrícolas, ganham escala e atraem investimentos.

É nesse ponto que a participação de Erasmo Battistella ganha centralidade. Ao abordar o tema “Soja Além do Grão: Desenvolvimento, Energia e Agregação de Valor”, ele propõe uma mudança de lógica: a de que o valor da soja não está apenas na exportação, mas na capacidade de gerar energia, reduzir emissões e capturar novas margens dentro da cadeia.

“O mundo não quer só produto. Quer saber como ele foi produzido”, resume Battistella. “Quem dominar essa narrativa — com dados, eficiência e tecnologia — vai liderar os mercados.”
A discussão ganha complexidade ao incorporar ciência, clima e gestão. A presença de nomes como Luiz Carlos Molion e Paulo Herrmann amplia o debate para além da lavoura, conectando previsibilidade climática, risco produtivo e decisões de investimento. A mensagem é clara: produzir mais já não é suficiente — é preciso produzir melhor e comunicar isso ao mercado.

Do lado da inovação, empresas como Bayer trazem soluções voltadas à agricultura de precisão, genética e manejo sustentável, enquanto entidades como o Instituto de Estudos Empresariais contribuem com a leitura econômica e estratégica do setor.

A transição energética no agro também avança dentro da porteira. Máquinas movidas a biocombustíveis, eletrificação gradual das operações e uso de resíduos para geração de energia deixam de ser projetos piloto e passam a integrar o planejamento produtivo. Esse movimento reposiciona o produtor como agente ativo na agenda climática — e não apenas como elo pressionado por ela.

Ao reunir diferentes áreas — da meteorologia ao direito, da agronomia às finanças —, o Soy Summit evidencia que a descarbonização não é um desafio isolado, mas sistêmico. Exige coordenação, investimento e, sobretudo, visão estratégica.

A programação antecede a Fenasoja, que deve reunir mais de 350 mil visitantes e mais de 600 expositores no Parque de Exposições Alfredo Leandro Carlson. Mas, antes da feira, o recado já estará dado: a soja brasileira entra em uma nova fase — mais conectada ao mundo, mais cobrada por ele e, ao mesmo tempo, com mais espaço para liderar.

Fonte: Gisele Flores / Redação O Sul