Janela partidária movimenta mais de 20% da Câmara e redesenha forças na Câmara
05 de abril de 2026
A janela partidária, encerrada na última sexta-feira (3), resultou em uma ampla reconfiguração na Câmara dos Deputados, com mais de 20% dos parlamentares mudando de sigla. O número ainda pode crescer com a formalização de movimentações realizadas nos últimos dias.
Levantamento da CNN Brasil aponta ao menos 119 trocas entre deputados titulares, com base em dados oficiais, comunicados partidários e anúncios nas redes sociais até sábado (4).
O principal destaque foi o fortalecimento do PL, que chegou a 100 deputados e se consolidou como a maior bancada da Casa. A legenda, ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, recuperou espaço após perdas registradas desde as eleições de 2022.
Já o União Brasil foi o partido que mais perdeu integrantes, com 28 saídas. Apesar disso, conseguiu amenizar o impacto com 21 novas filiações e mantém a terceira maior bancada, com 51 deputados.
O PT, sigla do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, registrou a saída da deputada Luizianne Lins após 37 anos de filiação. Mesmo assim, segue como a segunda maior bancada, com 66 parlamentares.
Outros partidos também tiveram movimentações relevantes. O PSDB ganhou fôlego ao registrar mais entradas do que saídas, chegando a 19 deputados. Em contrapartida, o PDT teve um dos piores desempenhos proporcionais, com oito perdas e apenas uma nova filiação.
Siglas como PSD, PP e Republicanos apresentaram equilíbrio entre saídas e entradas.
Prevista na legislação eleitoral, a janela partidária permite que deputados mudem de partido sem risco de perder o mandato, já que, em regra, a vaga pertence à legenda e não ao parlamentar. O período ocorre em anos eleitorais e antecede em seis meses a votação — em 2026, marcada para 4 de outubro.
No Senado, onde não há exigência de janela para trocas partidárias, a movimentação também foi intensa. O PSD perdeu nomes importantes, como Rodrigo Pacheco, que se filiou ao PSB, e Eliziane Gama, que migrou para o PT.
O PL também avançou no Senado, com a filiação dos senadores Sergio Moro e Efraim Filho, ambos oriundos do União Brasil.
Com o fim da janela, o foco das articulações políticas passa agora para as convenções partidárias, etapa em que serão definidos os candidatos para as eleições de 2026.