Produção industrial recua 1,2% em dezembro, aponta IBGE
03 de fevereiro de 2026
A produção industrial caiu 1,2% em dezembro de 2025 ante novembro, na série com ajuste sazonal, em declínio mais intenso que o apontado pela mediana das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast, de 0,5%, com intervalo entre uma queda de 2 1% a uma alta de 0,1%.
Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na manhã desta terça-feira, 3. Em relação a dezembro de 2024, a produção subiu 0,4%. Nessa comparação, sem ajuste, o resultado ficou abaixo da mediana das projeções, de alta de 0,8%, com intervalo entre queda 0,7% a alta de 6,2%.
No acumulado do ano passado, houve alta de 0,6%, de acordo com o IBGE. O número também é inferior a mediana positiva de 0,8%, com estimativas que variavam de avanço de 0,6% a 1,5%.
Influência negativa dos veículos
Na redução de 1,2% da atividade industrial na passagem de novembro para dezembro de 2025, as quatro grandes categorias econômicas e a maior parte (17) dos 25 ramos pesquisados mostraram recuo na produção. Vale destacar que, com esses resultados, a produção industrial se encontra 0,6% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020); mas ainda está 16,3% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.
Entre as atividades, as influências negativas mais importantes foram assinaladas por veículos automotores, reboques e carrocerias (-8,7%), produtos químicos (-6,2%) e metalurgia (-5,4%), com as duas primeiras marcando dois meses seguidos de queda na produção, período em que acumularam perdas de 10,4% e 7,4%, respectivamente; e a última eliminando a expansão de 3,5% acumulada no período agosto-novembro de 2025.
Outras contribuições negativas relevantes sobre o total da indústria vieram de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-9,2%), produtos de minerais não metálicos (-6,6%), máquinas e equipamentos (-4,6%), produtos têxteis (-9,0%), produtos de borracha e de material plástico (-2,2%) e confecção de artigos do vestuário e acessórios (-4,1%).
Por outro lado, entre as oito atividades que mostraram avanço na produção, coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (5,4%) exerceu o principal impacto na média da indústria e interrompeu três meses seguidos de recuo, período em que acumulou perda de 5,0%. Vale destacar também os impactos positivos assinalados pelos setores de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (6,7%) e de indústrias extrativas (0,9%).
Entre as grandes categorias econômicas, ainda na comparação com novembro, na série com ajuste sazonal, bens de capital (-8,3%) e bens de consumo duráveis (-4,4%) assinalaram as taxas negativas mais acentuadas em dezembro de 2025, com a primeira interrompendo três meses consecutivos de avanço na produção, período em que acumulou ganho de 1,5%; e a segunda intensificando a queda de 3,0% verificada em novembro de 2025. Os setores produtores de bens intermediários (-1,1%) e de bens de consumo semi e não duráveis (-0,7%) também mostraram recuo nesse mês, com o primeiro acumulando redução de 3,2% nos quatro últimos meses de 2025; e o segundo eliminando parte do crescimento de 1,5% registrado no período outubro-novembro de 2025.
Frente a dezembro de 2024, indústria avança 0,4%
Na comparação com igual mês do ano anterior, o setor industrial avançou 0,4% em dezembro de 2025, com resultados positivos em 1 das 4 grandes categorias econômicas, 10 dos 25 ramos, 33 dos 80 grupos e 47,3% dos 789 produtos pesquisados. Vale citar que dezembro de 2025 (22 dias) teve 1 dia útil a mais que igual mês do ano anterior (21).
Entre as atividades, as principais influências positivas no total da indústria foram registradas por indústrias extrativas (7,0%), produtos alimentícios (5,5%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (28,6%). Vale destacar também as contribuições positivas assinaladas pelos setores de produtos de borracha e de material plástico (4,7%), manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (9,7%), produtos diversos (11,0%), máquinas e equipamentos (2,4%) e artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (6,3%).
Por outro lado, ainda na comparação com dezembro de 2024, entre as quinze atividades que apontaram redução na produção, coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-4,6%), produtos químicos (-7,1%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (-8,0%) exerceram as maiores influências na formação da média da indústria.
Ainda no confronto com igual mês do ano anterior, bens de consumo semi e não duráveis (5,0%) apontou, em dezembro de 2025, a única taxa positiva entre as grandes categorias econômicas, interrompendo oito meses consecutivos de taxas negativas neste tipo de comparação. Por outro lado, os segmentos de bens de capital (-7,5%), bens de consumo duráveis (-3,5%) e bens intermediários (-0,9%) assinalaram as taxas negativas nesse mês.
Fonte: Correio do Povo