Brasil registra o maior número de contaminações por agrotóxicos na década, aponta relatório
24 de abril de 2025

O País teve o maior registro de contaminação por agrotóxicos na década, com 276 casos, segundo o relatório anual da Comissão Pastoral da Terra (CPT), divulgado nesta quarta-feira (23). O número de 276 ocorrências em 2024 representa um aumento de 762% em relação ao ano anterior, quando 32 casos foram registrados pela CPT.
A grande maioria dos casos (228) ocorreu no Maranhão. Segundo a CPT, comunidades tradicionais estão sendo atingidas pela pulverização aérea de agrotóxicos na região.
A entidade já havia alertado sobre o aumento de casos de contaminação por agrotóxicos em um relatório sobre o primeiro semestre de 2024, divulgado no último mês de dezembro. Na ocasião, Ronilson Costa, da coordenação da CPT, disse que um dos fatores que explicava o aumento de casos registrados de contaminação foi o crescimento das denúncias realizadas por comunidades afetadas pelo problema.
“Os casos que aconteceram em 2022 e 2023 foram muito visibilizados. Quanto mais se comunicou esses fatos, mais as pessoas consideraram uma situação grave e passaram a denunciar”, disse Costa no ano passado.
A Comissão Pastoral da Terra, ligada à Igreja Católica, organiza publicações sobre conflitos no campo desde 1985. O relatório da CPT também indica que houve 2.185 casos de conflitos em 2024, uma queda de quase 3% na comparação com o ano anterior, quando o país bateu um recorde de ocorrências.
Apesar da queda, ainda é o segundo maior número da série histórica, que teve início em 1985. Por outro lado, os assassinatos diminuíram em 58% na comparação com 2023, com 13 vítimas. Ainda assim, as ameaças de morte foram as maiores da década, com 272 casos registrados, uma alta de 24% frente ao ano anterior.
São registrados os casos entendidos como ações de resistência e enfrentamento que acontecem em diferentes contextos sociais. As disputas envolvem, por exemplo, luta por terra, água, direitos e pelos meios de trabalho ou produção.
Em 2024, as categorias das ocorrências foram disputas por:
* terra (78% dos casos);
* água (12%);
* trabalho (6%);
* resistência (4%).
Em 2024, os indígenas seguiram como as principais vítimas de assassinato por causa dos conflitos no campo. Eles representaram 38% dos casos, com 5 vítimas. Também foram assassinados 3 trabalhadores sem-terra, 2 assentados, 1 posseiro, 1 quilombola e 1 pequeno proprietário.
Dos 13 assassinatos registrados, 8 aconteceram nas regiões de Exploração das Fronteiras Agrícolas, representando 62% dos casos, segundo o relatório. A área abrange parte do Nordeste, do Norte, do Cerrado e o Matopiba (formado pelo Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). O estudo constatou que 46% dos crimes foram comandados por fazendeiros e 31% tiveram policiais como executores.
O relatório apontou um aumento de 11% dos incêndios (194) e 39% de crescimento do desmatamento ilegal (209) na comparação entre 2024 e 2023. Entre julho e agosto de 2024, incêndios de grandes proporções se espalharam pelo Brasil. Na época, o prejuízo estimado para os produtores foi de R$ 14,7 bilhões, em 2,8 milhões de hectares de propriedades rurais, apontou um levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
De acordo com a CPT, a região mais afetada pelo desmatamento e pelo fogo é a Amazônia Legal, com destaque para o Mato Grosso, responsável por 25% dos casos de incêndios registrados no território nacional, e o Pará, que concentra 20% dos registros de desmatamento ilegal.
Em 2024, cresceu o número de resgates de trabalhadores em situação análoga à escravidão, aponta o relatório. O aumento foi de 39%, o que corresponde a 1.622 trabalhadores resgatados. Já o número de casos caiu 40%, com o total de 151 registros. As informações usadas no estudo foram da campanha “De Olho Aberto para Não Virar Escravo”.
Fonte: O Sul