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03 de abril de 2025

Ondas de calor e estiagem severa registradas no verão 2024/2025 impactaram diretamente a produção de leite no Rio Grande do Sul, com reflexos na produtividade, na saúde do rebanho e nos custos da atividade. O cenário foi agravado por estresse térmico, falta de pasto e dificuldades no acesso à água de qualidade.
A análise foi divulgada pela Secretaria da Agricultura no Comunicado Agrometeorológico 83 – Especial BioMet. O levantamento aponta queda na produção de leite, problemas reprodutivos nas vacas e aumento de doenças como a mastite. Também houve alta nos custos de manejo. Entre os fatores estão o estresse térmico, a escassez de pasto e a má qualidade da água.
Segundo uma das autoras da publicação, a agrometeorologista Ivonete Tazzo, o comunicado analisou as condições meteorológicas ocorridas na estação, como precipitação pluvial, temperatura e umidade do ar.
“Utilizando o Índice de Temperatura e Umidade (ITU), o estudo documenta e identifica as faixas de conforto/desconforto térmico às quais os animais ficaram expostos, estimando os efeitos na produção de leite. Além disso, apresenta mapas com a espacialização dos valores médio e máximo do índice no Estado e dos valores estimados da queda de produção de leite diária das vacas em oito níveis, que vão de cinco a 40 quilos”, explica.
Conforme divulgado pela Seapi, a pesquisadora Ivonete explicou que os registros de temperaturas mínimas e máximas absolutas elevadas, ocorridas entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, indicaram situações de estresse térmico calórico para vacas leiteiras, que se agravaram ao longo do verão. “Destacam-se os meses de janeiro e fevereiro de 2025, quando somente 42,6% e 28,3% das horas avaliadas propiciaram conforto térmico aos animais”, apontou.
Durante o mês de fevereiro, foram registradas ocorrências simultâneas de ondas de calor, com temperaturas acima de 35°C, e chuvas irregulares e de baixo volume, principalmente nas regiões Central, Campanha e Noroeste. “Destaca-se que nesta última se concentra a maior produção de leite do Rio Grande do Sul”, exemplificou Ivonete.
Outra autora da publicação, a médica veterinária Adriana Tarouco, acrescenta que situações de estresse térmico de leve a moderado foram identificadas na média de 41% das horas avaliadas ao longo do trimestre.
“Todas as regiões apresentaram potencial para condição de estresse calórico durante o verão (inclusive regiões que tradicionalmente não costumam apresentar, como a Serra do Nordeste), destacando-se o Vale do Uruguai, o Baixo Vale do Uruguai e a região Missioneira”, diz Adriana.
As duas comentam que os produtores rurais tiveram que ficar atentos à exposição dos animais a estas condições desafiadoras, pois declínios de produção diária de leite entre 24,5% a 28% foram estimados. “Logo, estratégias de manejo tiveram de ser adotadas para minimizar estes efeitos ambientais e, assim, evitar prejuízos econômicos na atividade leiteira”, pontuam Adriana e Ivonete.
A publicação é uma iniciativa do Grupo de Estudos em Biometeorologia, constituído por pesquisadores e bolsistas das áreas da Agrometeorologia e Produção Animal. O Comunicado Agrometeorológico Especial – Biometeorológico tem publicação trimestral e está disponível na seção de Agrometeorologia da Seapi.
Fonte: Correio do Povo