Cotribá aprova dissolução e escolhe Sérgio Strentzke para conduzir liquidação
21 de outubro de 2026
Os associados da Cotribá aprovaram, na terça-feira (20), a dissolução voluntária da cooperativa e o início de um processo de liquidação extrajudicial com manutenção das atividades. A decisão representa uma nova etapa na tentativa de enfrentar a crise financeira da instituição, que possui 115 anos de história e acumula dívidas estimadas em R$ 1,4 bilhão. Sérgio Strentzke foi escolhido para assumir a função de liquidante e coordenar os procedimentos dessa fase.
A medida não determina o encerramento imediato da cooperativa. A proposta prevê a continuidade das operações comerciais enquanto a administração trabalha na reorganização financeira, no levantamento dos bens e na negociação dos débitos com credores. O andamento do processo dependerá dos resultados obtidos e das decisões tomadas ao longo da liquidação.
Entre os principais desafios estão a definição de um plano para lidar com o passivo financeiro e a realização de uma avaliação detalhada do patrimônio. Essas informações serão fundamentais para estabelecer as possibilidades de pagamento das obrigações e orientar as próximas decisões relacionadas à estrutura da cooperativa.
A estratégia da nova gestão também envolve a recuperação da capacidade operacional da Cotribá e a reconstrução da confiança de produtores rurais, fornecedores e demais parceiros comerciais. Para isso, estão em discussão alternativas voltadas à reorganização dos negócios, à retomada de atividades industriais e à busca de novas oportunidades comerciais.
Entre as possibilidades avaliadas estão a retomada da fábrica de rações, o fortalecimento das operações por meio da CCGL, a reestruturação de unidades de negócio e uma eventual venda de ativos. As medidas poderão contribuir para a geração de recursos e para a redução gradual do endividamento, conforme as condições financeiras e operacionais permitirem.
Como liquidante, Sérgio Strentzke terá a responsabilidade de conduzir os procedimentos administrativos e financeiros previstos nessa etapa, observando as exigências legais aplicáveis às cooperativas. O trabalho deverá envolver a organização das informações patrimoniais, o acompanhamento das obrigações existentes e a negociação com os diferentes grupos de credores.
A aprovação da dissolução, no entanto, não significa que as dívidas estejam resolvidas nem garante o pagamento integral dos valores devidos a produtores, trabalhadores, fornecedores e instituições financeiras. A capacidade de honrar esses compromissos dependerá do patrimônio disponível, dos recursos gerados pelas operações e dos acordos que forem estabelecidos.
Outro ponto considerado essencial será a transparência na condução do processo. A apresentação de informações sobre os bens, os débitos, as prioridades de pagamento e os prazos previstos será importante para que os associados acompanhem a evolução das medidas adotadas.
A decisão tomada em assembleia abre caminho para uma reorganização profunda da Cotribá, mas os próximos passos serão determinantes para definir o futuro da instituição. A administração terá de demonstrar que a continuidade das atividades é financeiramente viável e que a estratégia adotada poderá contribuir para enfrentar o passivo acumulado e atender às obrigações da cooperativa.