Umidade impede plantio da soja em parte do Rio Grande do Sul
11 de outubro de 2026
O plantio da soja ainda avança lentamente no Rio Grande do Sul, mesmo após o início do período recomendado pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). De acordo com o Relatório Informativo da Emater/RS-Ascar, a semeadura permanece “incipiente” e concentrada principalmente em áreas que receberam autorização para implantação antecipada em setembro. A dificuldade na maior parte das lavouras ocorre pelo excesso de umidade por conta das chuvas volumosas e frequentes, que tem dificultado o trânsito de máquinas e limitado as condições para o avanço das operações.
A maior parte das áreas destinadas à soja ainda está em preparação, com dessecação avançada e aguardando a redução da umidade do solo para receber as sementes. Algumas lavouras implantadas antecipadamente apresentam boa emergência. Nas áreas atingidas por granizo, os danos estão sendo acompanhados para avaliar a capacidade de recuperação das plantas.
Para a safra 2026/2027, a Emater/RS-Ascar estima o cultivo de 6.645.384 hectares, com produtividade projetada em 3.183 quilos por hectare e produção de 21.151.135 toneladas.
Segundo o diretor técnico da Emater/RS-Ascar Mateus Rocha, o manejo das áreas exige atenção diante da cobertura vegetal volumosa e da umidade do solo. Ele recomenda adequar a dessecação às condições ambientais e realizar ajustes nas máquinas antes da semeadura. “Regular a semeadora com sistemas de corte de palha eficientes, como discos de corte bem ajustados, e regular os mecanismos sulcadores para evitar o embuchamento, o arraste de palhada e a formação de sulcos mal fechados”, orienta.
Rocha também destaca a necessidade de controlar a profundidade da semeadura e garantir o contato adequado entre solo e semente. Segundo ele, o trânsito de máquinas deve ser evitado quando o solo estiver excessivamente úmido, já que a operação nessas condições pode provocar compactação e dificultar a abertura e o fechamento dos sulcos, prejudicando a emergência.
Entre as estratégias indicadas estão ainda a redução da densidade de semeadura para melhorar a aeração do dossel, o parcelamento da adubação nitrogenada e a manutenção de canais de drenagem superficial eficientes em áreas mais baixas. Apesar do ritmo lento neste início, Rocha não projeta perdas no potencial produtivo em razão do atraso. “Não creio em perdas no potencial produtivo pois a janela é ampla se estendendo até janeiro e a ação do El Niño deve garantir produtividade elevada”, afirma.
Fonte: Correio do Povo