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Polícia Federal indicia policial militar pela morte de delegado em Passo Fundo

Polícia, Região

07 de outubro de 2026

Polícia Federal indicia policial militar pela morte de delegado em Passo Fundo
Suspeito teria se apresentado como policial durante a abordagem e foi detido em flagrante pela Brigada Militar na noite deste domingo.
Foto: GCC

A Polícia Federal concluiu o inquérito que apurou a morte do delegado federal Michel Brasil Saliba durante uma operação em Passo Fundo, no Norte do Rio Grande do Sul. O policial militar apontado como responsável pelos disparos foi indiciado por homicídio doloso qualificado. A investigação também identificou indícios de três tentativas de homicídio contra outros agentes federais que participaram da ação.

O caso ocorreu em 2 de julho, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. Conforme a investigação, Saliba foi atingido por dois tiros, sendo que um deles provocou sua morte. Ao todo, oito disparos teriam sido efetuados contra a equipe que estava no imóvel.

Para esclarecer a dinâmica da ocorrência, a Polícia Federal realizou uma série de perícias e reuniu diferentes tipos de evidências. Entre os materiais analisados estão exames balísticos, testes de DNA, microvestígios encontrados no local, imagens de câmeras de segurança, informações obtidas de aparelhos eletrônicos e relatos de testemunhas.

Os exames realizados pelos peritos, segundo a PF, apontaram que os tiros que atingiram o delegado foram disparados com a arma utilizada pelo policial militar investigado. A análise de DNA também teria reforçado a ligação entre o armamento e o projétil que atingiu Saliba.

Outro ponto considerado fundamental pelos investigadores foi verificar se o autor dos disparos sabia que os homens que entraram na residência eram policiais. A PF afirma que os agentes estavam identificados e vestiam coletes durante a operação. Além disso, a equipe teria anunciado que se tratava de uma ação da Polícia Federal antes e no momento da entrada no imóvel.

A corporação também afirma que havia iluminação no local e que a identificação dos agentes foi percebida por pessoas que estavam nas proximidades. Com base nos depoimentos, vídeos, fotografias e demais provas, a investigação concluiu que não houve confusão quanto à identidade dos policiais.

Segundo o superintendente da PF, delegado Alessandro Maciel Lopes, a possibilidade de o investigado ter atirado por engano foi afastada pelos elementos obtidos ao longo do inquérito. Para a corporação, as circunstâncias demonstram que o policial tinha conhecimento de que estava diante de integrantes da equipe federal.

O investigado é integrante da Polícia Militar e também possui atuação como instrutor de tiro. Na data da operação, entretanto, estava afastado das funções policiais por interesse particular.

Ainda conforme a investigação, durante a entrada dos agentes, o policial e uma mulher que estava na residência foram para um dos quartos. A PF sustenta que o homem teria colocado a mulher à sua frente antes de efetuar os disparos contra os policiais.

A conclusão apresentada no inquérito é de que a sequência dos acontecimentos demonstra uma ação consciente por parte do investigado. Para os investigadores, a quantidade de tiros e a forma como foram realizados indicam que ele tinha conhecimento de que poderia atingir os agentes e teria atuado com a intenção de impedir o avanço da operação.

Com o encerramento das investigações, o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público Federal e ao Poder Judiciário, que deverão analisar as conclusões apresentadas pela Polícia Federal e dar prosseguimento às medidas cabíveis.