Cotrijal amplia estrutura e passa a armazenar canola para acompanhar crescimento da cultura no inverno
07 de outubro de 2026
O crescimento da área cultivada com canola nas lavouras de inverno da região levou a Cotrijal a promover mudanças em sua estrutura de pós-colheita. A cooperativa, que desde 2007 recebe e beneficia o grão, passou agora a realizar também a armazenagem da canola em seus silos.
A reportagem do Grupo Ceres esteve no entreposto da Cotrijal, na localidade de Vista Alegre, em Colorado, onde conversou com o gerente da unidade, Walter Walker. Segundo ele, a mudança foi necessária diante do aumento do volume produzido e representa uma nova etapa no atendimento aos produtores.
“Colorado é, historicamente, o município da região que mais planta canola. O produtor já tem o hábito de produzir essa cultura, que é uma alternativa importante para o inverno, principalmente em relação ao trigo”, destacou Walker.
Com a ampliação da área cultivada, a cooperativa realizou adequações nos silos e no fluxo operacional. O processo passou a envolver todas as etapas, desde o recebimento até a expedição: recebimento, beneficiamento, secagem, armazenagem e posterior transporte para a indústria.
Antes da mudança, a canola recebida dos produtores era beneficiada e, praticamente no mesmo dia, carregada em caminhões com destino à indústria. A nova estrutura permite que o produto permaneça armazenado por um período maior, em condições adequadas de conservação.
“Antes, a canola era recebida, beneficiada, resfriada e já carregada para ser encaminhada diretamente à indústria. Como o volume era menor, esse sistema funcionava. Agora, com o aumento da produção, foi necessário encontrar uma alternativa para armazenar esse produto”, explicou o gerente.
A armazenagem estática também oferece maior flexibilidade para a comercialização. O produto pode permanecer nos silos até que a indústria tenha necessidade de recebê-lo, mantendo as condições de qualidade por meio de sistemas adequados de aeração e resfriamento.
“A cooperativa se adequou justamente para fazer esse serviço de guardar o produto. Ele ficará nos silos em condições adequadas de armazenamento e, no momento em que a indústria demandar, poderemos carregar a canola em boas condições”, afirmou Walker.
O avanço da canola também tem provocado mudanças no perfil das lavouras de inverno na região. De acordo com o gerente da Cotrijal, o aumento da área destinada à oleaginosa ocorreu acompanhado de uma redução no cultivo de trigo.
Outra cultura que perdeu espaço nos últimos anos é a cevada. As dificuldades relacionadas ao clima e as exigências de qualidade do mercado estão entre os fatores que contribuíram para a redução do cultivo.
“A cevada é uma cultura que está sendo muito pouco demandada. O produtor acabou reduzindo bastante o plantio em função das dificuldades enfrentadas nos últimos anos, principalmente relacionadas ao clima e às exigências de qualidade por parte da indústria”, observou.
Tanto a canola quanto o trigo também enfrentaram dificuldades nesta safra em razão das condições climáticas. Ocorrências de granizo, excesso de chuva e geadas provocaram danos em algumas áreas, afetando tanto a produtividade quanto a qualidade dos grãos.
Segundo Walker, apesar das adversidades, a expectativa é de que a nova estrutura de armazenagem possa trazer benefícios aos produtores e à própria cooperativa.
“Apesar de o ano não ter sido muito favorável até o momento, temos a expectativa de que essa mudança possa agregar algum ganho para o produtor e para a cooperativa, principalmente pela possibilidade de expedir o produto com uma qualidade melhor”, ressaltou.
Enquanto as culturas de inverno enfrentam os desafios do clima, as lavouras de verão também avançam na região. O plantio do milho já foi concluído, e a cultura entra agora na fase de manejo.
Walker destaca que houve aumento expressivo da área de milho na região. Neste momento, os produtores concentram os trabalhos na aplicação de herbicidas em pós-emergência, ureia, fungicidas e inseticidas.
“O milho está todo implantado. Agora, o produtor está fazendo o manejo das lavouras, com aplicação de herbicidas em pós-emergência, ureia, fungicidas e inseticidas. Apesar das condições climáticas, a cultura está em uma condição boa”, explicou.
No entanto, a ocorrência de alguns períodos com excesso de chuva tem limitado o desenvolvimento das plantas. Para o gerente, alguns dias de sol seriam importantes para favorecer o avanço das lavouras.
Com o milho implantado e o ciclo das culturas de inverno chegando ao fim, os produtores já iniciam os preparativos para a soja. O trabalho envolve a dessecação das áreas, correção e adubação do solo e demais procedimentos necessários para a implantação da cultura.
A expectativa é de que os primeiros plantios possam ocorrer a partir da segunda metade de outubro, dependendo das condições climáticas. O maior volume de semeadura, porém, tradicionalmente deve se concentrar na primeira quinzena de novembro.
“Estamos iniciando o manejo de dessecação e a preparação das áreas para a soja. A partir da metade de outubro, eventualmente já teremos alguns plantios, mas o maior volume normalmente acontece na primeira quinzena de novembro. Tudo vai depender de uma condição de tempo favorável”, projetou Walter Walker.
Com a ampliação da armazenagem de canola e o avanço dos preparativos para as culturas de verão, a Cotrijal busca acompanhar as mudanças no perfil produtivo da região e oferecer maior capacidade operacional aos produtores, especialmente em períodos de maior concentração de recebimento da produção.